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3 de outubro: feriado estadual no RN lembra canonização dos Mártires de Cunhaú e Uruaçu

Data celebra memória dos primeiros santos mártires do Brasil, mortos em 1645 por manter a fé católica, e reforça patrimônio histórico e religioso do estado.

Por Seridoense em 3 de outubro de 2025

Foto: Reprodução/ Wikipédia/ Carla Salgueiro

O dia 3 de outubro é feriado estadual no Rio Grande do Norte em homenagem aos Mártires de Cunhaú e Uruaçu, primeiros santos do Brasil, mortos há 380 anos por manterem a fé católica em meio às invasões holandesas. A data marca o segundo episódio dos massacres, ocorrido em 1645, em Uruaçu — atualmente São Gonçalo do Amarante — e é lembrada com celebrações religiosas e ações culturais em todo o estado.

Os episódios históricos ocorreram em duas datas: em 16 de julho de 1645, no povoado de Cunhaú (Canguaretama), e em 3 de outubro do mesmo ano, em Uruaçu. Em ambas as ocasiões, 28 leigos e dois padres foram assassinados, entre eles André de Soveral, Ambrósio Francisco Ferro e o leigo Mateus Moreira, por se recusarem a abandonar a fé católica.

A brutalidade dos ataques ocorreu no contexto da ocupação holandesa no Nordeste e do conflito entre portugueses e invasores. A resistência dos fiéis levou a Igreja Católica a reconhecê-los como mártires. Em 2000, o Papa João Paulo II beatificou os Protomártires do Brasil, e em 15 de outubro de 2017, o Papa Francisco canonizou André de Soveral, Ambrósio Francisco Ferro, Mateus Moreira e seus companheiros, tornando-os santos.

O feriado estadual no Rio Grande do Norte serve não apenas como homenagem religiosa, mas também como preservação da memória histórica e cultural. A data é marcada por missas, romarias e eventos organizados pela Arquidiocese de Natal, especialmente em Canguaretama e São Gonçalo do Amarante, locais dos massacres.

Para a Igreja Católica, o testemunho dos mártires é um legado de fé e amor. O pároco do Santuário dos Santos Mártires, padre Fábio Pinheiro, destaca:

“Eles deram a vida por amor a Cristo e à Igreja. O dia 3 de outubro é um momento de rememorar, rezar e pedir a intercessão desses santos, lembrando que seu testemunho é sinal de esperança em meio às trevas.”

A devoção vem crescendo ao longo dos anos, especialmente após a canonização. Atualmente, a memória dos mártires é celebrada com grande participação popular, reforçando sua importância espiritual e histórica. Segundo padre Fábio, “o testemunho deles é, acima de tudo, de amor. Mesmo diante da violência, eles nos deixam a mensagem de fé, perdão e esperança para o futuro.”

Em 2025, as celebrações ganham ainda mais significado ao completarem 380 anos dos martírios, tornando-se referência para a fé católica potiguar e parte do patrimônio espiritual reconhecido internacionalmente.


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