
Foto: Magnus Nascimento
Os alagamentos acumulados na faixa de areia da engorda da Praia de Ponta Negra, desde a sexta-feira (14), desapareceram na manhã desta terça-feira (18). De acordo com a Secretaria Municipal de Infraestrutura de Natal (Seinfra), esse tipo de ocorrência deverá continuar sempre que houver chuvas intensas, devido à topografia da região.
Segundo a titular da pasta, Shirley Cavalganti, disse que o problema está no desnível entre o bairro e a praia, que faz água descer em grande volume e velocidade, o que favorece a formação de espelhos d’água na faixa de areia.
“A gente tem um desnível gigante da Roberto Freire até a praia, então essa água vem com muita velocidade e em um volume muito grande, p que acaba aumentando o acúmulo na areia, sendo maior do que essas outras praias que a gente vê, como o Balneário Camboriú”, explica Shirley Cavalcanti.
De acordo com a gestão municipal, a formação de “espelhos d’água” na região estava prevista. Em caso de chuvas com precipitações entre 40 e 50 mm em menos de seis horas, haveria o acumulo de água na faixa de areia.
Segundo Paulinho Freire, não há como evitar isso, é um fenômeno natural. A drenagem foi projetada para reduzir o impacto, dissipando a água mais lentamente, afirma.
A secretária reforçou que o projeto de drenagem da engorda já previa esse tipo de situação. “A previsão é de que, com chuvas a partir de 40 milímetros em 24h, esses espelhos d’água comecem a se formar, e o tamanho deles depende da quantidade e duração da chuva”, afirmou Shirley.
Na sexta-feira (14), Natal registrou um acumulado de 107 milímetros, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), atingindo um total de precipitações de 318 mm em março, ultrapassando a média histórica do mês, que é de 200,8 mm.
Além do volume de chuva, a infiltração da água na areia está diretamente ligada ao nível da maré. “Se a maré estiver alta, a infiltração demora mais; se a maré estiver baixa, o processo é muito mais rápido”, explicou a secretária. Esse fator ajuda a entender porque os alagamentos desapareceram gradualmente ao longo dos dias seguintes às chuvas, complementou Cavalcanti.
Para minimizar o impacto dessas chuvas, 16 dissipadores foram instalados ao longo da faixa de areia, reduzindo a velocidade da água que desce para a praia. As estruturas já estão funcionado, mas ainda passam por ajustes finais. Estruturas como lajes esta sendo feita para maior segurança. A previsão para a conclusão total da obra é para abril.
Os alagamentos em Ponta Negra geraram preocupação entre turistas e principalmente os comerciantes nos últimos dias. Comerciantes locais relataram dificuldades para montar barracas devido ao acúmulo de água na faixa de areia. Turistas, por sua vez, demonstraram frustação ao encontrar a praia com área alagadas, afetando a experiência na principal orla da cidade.