
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A alta no preço do cacau, deve impactar a venda dos Ovos de Páscoa neste ano, é o que estima a Associação Brasileira da Indústria da Alimentação (Abia). Segundo a entidade, houve um aumento de 189% no preço do cacau, com picos de até 300%, nos últimos 12 meses anteriores a dezembro de 2024, e deverá impactar no preço do chocolate.
De acordo com a Abia, nem todo aumento deverá ser repassado ao consumidor, mas a tendência é que haja aumentos que acompanham a variação da indústria de chocolates, e com têm feito com que vendedores, empresários e lojistas freiem as expectativas de crescimento das vendas de produtos durante o período da Páscoa.
Para o presidente executivo da Abia, João Dornellas, a indústria de alimentos busca eficiência com mais investimentos em automação.
” Nem tudo foi repassado, já que a indústria busca eficiência com mais investimentos em automação, por exemplo. Mas haverá impacto”. Cada empresa tem sua política de preços. Disse João Dornella.
A expectativa é que o consumidor encontre ovos de Páscoa com diferentes ingredientes no recheio, como biscoitos. Mas a expectativa é que os preços não sofram ‘aumentos bruscos’ acima da inflação.
“É difícil estimar alta de preços ao consumidor, mas a tendência é que os aumentos acompanhem os reajuste que a indústria de chocolates praticou, acrescente Dornellas.
Na década de 80, o Brasil era o maior produtor de Cacau do mundo, mas a praga da vassoura da bruxa dizimou as plantações na Bahia. Hoje, é o sétimo maior produtor global. De acordo com a Abia, há uma oportunidade de aumentar a produção do cacau, que vem crescendo no Pará. Mas o cacaueiro demora média de quatro anos para começar a produzir o fruto.
Segundo economistas e especialistas, a alta do preço do cacau está associada a uma crise de oferta da matéria-prima, causada por crises climáticas e sanitárias na África. Com isso, há uma redução global do item.
“A Páscoa 2025 terá alta do preço dos chocolates entre 8 a 20%, dependendo da pureza e tipologia e composição dos ovos de páscoa com mais ou menos cacau, que será o grande responsável pelo aumento dos preços, visto que as mudanças climáticas também afetaram a produção com as altas temperaturas, com o plantio do cacau sendo prejudicado. As consequências também são vistas em relação ao dólar, que é uma composição, no geral, que influencia os preços em geral, além da própria inflação”, explica o economista Ricardo Valério.
Aliado a isso, Valério lembra que, com a escassez da matéria-prima, a tendência é que a produção seja menor em 2025.
Isso deve pressionar ainda mais os preços em relação a essa situação. Há ainda uma tendência de que os ovos sejam de um tamanho menor para facilitar a acessibilidade dos consumidores. Em que pese as barras de chocolate já tenham subido os preços do ano passado, de 16,53%, segundo o IPCA, pode ser uma saída mais econômica para presentear nessa Páscoa. Outra dica é não se preocupar com as marcas, que têm variação de preço de 30%”, aponta.
A Associação dos Supermercadistas do Rio Grande do Norte (Assurn), a expectativa é de pelo menos manter o volume de vendas de 2024.
“Sempre estamos otimistas, porque é o segundo maior período de vendas, a sazonalidade da Páscoa, embora tenhamos enfrentado uma inflação também nos produtos relativos à Páscoa, principalmente carregados pelos chocolates. Em 12 meses, o cacau teve mais de 180% de aumento acumulado. Isso vem encarecendo bastante, principalmente os mais elaborados, que são os ovos de Páscoa”, explica o presidente da Assurn, Gilvan Mykelison.