
Foto: Divulgação/Ministério da Saúde
O Brasil enfrenta um cenário de preocupação em relação aos acidentes com escorpiões em 2025. O país já contabiliza mais de 173 mil ocorrências e ultrapassa a marca de 200 mortes confirmadas. Embora o número de casos estimado seja inferior ao registrado em 2024 — quando ocorreram mais de 200 mil acidentes — a letalidade praticamente dobrou, passando de 0,06 para 0,12.
Especialistas atribuem o aumento do número de mortes à demora na busca por atendimento médico e à maior circulação do animal em áreas urbanas. Crianças e idosos seguem como os grupos mais vulneráveis, com maior risco de agravamento clínico em casos de envenenamento.
Estudos realizados no país apontam que os relatos de picadas de insetos e escorpiões vêm crescendo de forma constante ao longo da última década, com destaque para o aumento significativo entre 2014 e 2023. Dados do Ministério da Saúde indicam ainda que o maior número de óbitos por escorpiões, nos últimos dez anos, ocorreu em 2023, com mais de 400 registros.
A presença do animal se intensifica principalmente nos meses mais quentes, entre setembro e fevereiro, nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Já no Norte e Nordeste, onde temperaturas elevadas persistem durante todo o ano, o risco permanece constante. O avanço da urbanização, o acúmulo de resíduos e as altas temperaturas contribuem diretamente para o aumento da circulação do escorpião nas cidades.
Os acidentes podem ser classificados como leves, moderados ou graves. O veneno atua no sistema nervoso e provoca dor intensa, podendo evoluir para suor excessivo, vômitos, taquicardia e, em quadros mais graves, insuficiência cardíaca, edema pulmonar e risco de morte.
Em caso de picada, o atendimento médico imediato é fundamental. A orientação é lavar o local suavemente com água e sabão e aplicar compressas mornas para aliviar a dor até chegar a um serviço de saúde. Não se recomenda aplicar gelo, usar pomadas, fazer torniquetes ou incisões, medidas que podem agravar o quadro.
A prevenção segue como a forma mais eficaz de reduzir acidentes. O Instituto Butantan reforça práticas como manter lixo fechado, evitar acúmulo de entulhos, vedar ralos e frestas, afastar camas das paredes, sacudir calçados antes de usar, manter jardins limpos e usar luvas e calçados em áreas externas.
Embora tenham papel ecológico, escorpiões se adaptam facilmente ao meio urbano, sendo o controle e a prevenção essenciais para evitar acidentes e salvar vidas.