Trânsito & Mobilidade

Transporte Público

CBTU negocia com o governo para evitar paralisação dos trens urbanos em Natal e outras capitais do Nordeste

Sistema pode entrar em colapso a partir de julho caso não haja liberação urgente de recursos federais

Por Seridoense em 16 de junho de 2025

Foto: Reprodução/ Instagram: cbtunatal

A Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) está em tratativas emergenciais com o Ministério das Cidades para tentar evitar a suspensão total dos serviços ferroviários em quatro capitais nordestinas: Natal, Recife, João Pessoa e Maceió. Um ofício interno datado de 28 de abril, revelado pelo Jornal do Commercio, aponta que o sistema pode entrar em colapso já a partir de julho, com paralisação definitiva prevista para agosto de 2025, caso não haja liberação urgente de recursos.

De acordo com o documento, o orçamento de custeio da CBTU sofreu um corte significativo, caindo de R$ 216 milhões em 2024 para R$ 165 milhões neste ano. A companhia calcula que o valor mínimo necessário para a manutenção das operações é de R$ 260 milhões, o que gera um déficit orçamentário de aproximadamente R$ 95 milhões.

Em Natal, a suspensão das atividades afetaria diretamente milhares de usuários diários, incluindo trabalhadores e estudantes que dependem do transporte ferroviário como meio essencial de deslocamento. Além da interrupção dos serviços, a CBTU alerta para consequências graves, como o aumento da violência nas áreas próximas às estações e linhas ferroviárias, depredação do patrimônio público, dificuldade técnica para futura reativação do sistema e continuidade de despesas fixas, como vigilância.

“Estamos tratando o tema com as instâncias competentes para assegurar a continuidade dos serviços”, afirmou a CBTU em nota oficial, sem detalhar prazos ou alternativas de solução imediata. O documento da empresa faz um apelo direto à “sensibilidade das autoridades sobre o impacto e a relevância social dos trens urbanos”, destacando que, atualmente, mais de 1,2 milhão de pessoas utilizam o serviço mensalmente nas quatro capitais afetadas.

Apesar da urgência, o Ministério das Cidades ainda não se pronunciou sobre medidas concretas para evitar o colapso. Especialistas em mobilidade urbana alertam que, caso a paralisação se concretize, a retomada do sistema no futuro exigirá investimentos ainda maiores, além de recuperação de estruturas e de confiança por parte da população.

A CBTU segue operando com recursos cada vez mais limitados, enquanto a possibilidade de uma paralisação total se aproxima.


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