
Foto: MLB
A Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara Municipal de Natal realizou, nesta quarta-feira (28), uma sessão com oitivas de representantes do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) e da Associação dos Supermercados do Rio Grande do Norte (ASSURN). A comissão investiga casos de invasões a propriedades privadas, com foco em estabelecimentos comerciais da capital potiguar.
Durante a sessão, o diretor da ASSURN, Eugênio Parcelli, relatou que as ações promovidas pelo MLB acarretaram um prejuízo de R$ 3 milhões ao setor supermercadista, especialmente no período natalino, quando a movimentação do comércio é mais intensa. Segundo ele, as manifestações não envolveram vandalismo ou violência, mas também não houve solicitação formal de doações por parte do movimento.
Por outro lado, a ativista Bianca Soares, representante do MLB, defendeu as ações como uma forma de luta legítima pelo direito à alimentação. Ela destacou o contraste entre o cenário de fome enfrentado por milhões de brasileiros e o desperdício de alimentos registrado nas redes de supermercados.
Divergência entre vereadores
O debate evidenciou divergências políticas entre os integrantes da comissão. O relator da CEI, vereador Matheus Faustino (União Brasil), criticou as ocupações, apontando que elas ocorrem sem aviso prévio e com exigências por cestas básicas. Ele afirmou que supermercados costumam realizar doações de alimentos prestes a vencer para instituições sociais organizadas, o que, segundo ele, desqualificaria a forma de atuação do MLB.
Já o vereador Daniel Valença (PT) saiu em defesa do movimento, classificando as ocupações como ações legítimas contra a fome. Ele criticou o que chamou de tentativa de criminalização das ações populares, ressaltando que a insegurança alimentar deve ser o foco principal do debate.
Sessão foi marcada por tensão
Para o presidente da comissão, Subtenente Eliabe, a sessão foi “tensa, mas produtiva”. Ele ressaltou a importância das oitivas na construção do relatório final da CEI, que deverá ser apresentado em breve à sociedade com resultados concretos da investigação.
A CEI segue com seu cronograma de depoimentos, buscando esclarecer os impactos das ações em estabelecimentos privados e propor possíveis soluções legislativas e sociais para os conflitos em torno do direito à alimentação e à propriedade.