Rio Grande do Norte

Caso Juliana Soares

Cirurgia de Juliana Soares expõe gravidade das agressões; vítima pode ter sequelas permanentes

Jovem foi agredida com mais de 60 socos no rosto em tentativa de feminicídio em Natal; procedimento durou 7 horas e exigiu equipe multidisciplinar.

Por Seridoense em 2 de agosto de 2025

Foto: Adriano Abreu

A cirurgia de reconstrução facial de Juliana Soares, vítima de tentativa de feminicídio no último sábado (26) em Natal, revelou a extrema gravidade das agressões sofridas. De acordo com o cirurgião responsável, Kerlison Paulino de Oliveira, é provável que a paciente enfrente sequelas permanentes devido ao número e à complexidade das fraturas.

Juliana foi agredida com mais de 60 socos no rosto dentro de um elevador, em um condomínio no bairro de Ponta Negra, zona Sul da capital. O caso, tratado pela Polícia Civil como violência de gênero, gerou grande repercussão.

A intervenção cirúrgica, realizada no Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL/UFRN/Ebserh), contou com uma equipe de 10 profissionais e durou 7 horas — duas a mais que o previsto — devido às dificuldades encontradas. Segundo o médico, as fraturas apresentavam fragmentos ósseos muito pequenos e distantes, exigindo o uso de placas mais rígidas para fixação.

O cirurgião destacou que a paciente tinha uma reabsorção óssea acima do esperado para sua idade, com ossos em algumas regiões tão frágeis quanto “cascas de ovo”. Essa condição aumentou a complexidade do procedimento, que exigiu reconstruções repetidas de estruturas faciais para garantir estabilidade.

Além da mobilidade total do osso maxilar, a jovem sofreu múltiplas fraturas em diferentes pontos da face. A previsão é de recuperação lenta e progressiva, com acompanhamento médico intensivo por pelo menos dois meses para avaliar a necessidade de novos procedimentos.

Nos primeiros dias, Juliana seguirá com alimentação líquida, avançando depois para dieta pastosa. Embora a alta hospitalar esteja prevista para ocorrer em até dois dias, o tempo de recuperação total pode superar o prazo habitual de 45 dias, devido à gravidade do trauma.

O agressor, Igor Eduardo Pereira Cabral, de 29 anos, foi transferido para a Cadeia Pública Dinorá Simas Lima Deodato, em Ceará-Mirim, na Região Metropolitana de Natal.


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