Política

Justiça Internacional

Corte de Apelação de Roma adia para janeiro decisão sobre extradição de Carla Zambelli

Defesa da ex-deputada pediu mais tempo para analisar documentos enviados pelo governo brasileiro; parecer do Ministério Público italiano é favorável à extradição.

Por Seridoense em 18 de dezembro de 2025

Foto: Lula Marques/ Agência Brasil.

A Corte de Apelação de Roma decidiu adiar, para o dia 20 de janeiro de 2026, a análise do pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli. O adiamento ocorreu após solicitação da defesa, que pediu mais tempo para avaliar os documentos enviados pelo governo brasileiro sobre as condições do sistema prisional no país.

O Ministério Público italiano já havia emitido parecer favorável à extradição, argumentando que o pedido atende aos requisitos legais do país e que Zambelli não foi alvo de perseguição política, tampouco teve cerceado seu direito de defesa no processo que resultou em sua condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Para sustentar a solicitação, o governo brasileiro encaminhou informações referentes à unidade prisional onde Zambelli deverá cumprir pena caso seja extraditada. Os documentos destacam que a ex-parlamentar seria encaminhada à Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia, e ressaltam a separação entre regimes, medidas de monitoramento e histórico de estabilidade na instituição.

De acordo com as informações enviadas, a penitenciária conta com setores distintos para internas dos regimes fechado, semiaberto e presas provisórias. O material também aponta a ausência de registros de rebeliões na unidade e menciona inspeções periódicas para garantir padrões de segurança e respeito aos direitos humanos.

A extradição ganhou destaque após Zambelli perder seu mandato no último sábado, após decisão do STF. A ex-deputada responde a uma pena de 10 anos de prisão por envolvimento na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ação que, segundo o Ministério Público italiano, foi planejada e executada com sua participação direta e consciente.

O parecer do procurador italiano reforça que, apesar da cidadania italiana, Zambelli não tem vínculos sociais, profissionais ou residenciais no país, considerando desproporcional tratá-la como residente ou personalidade local.

A ex-parlamentar deixou o Brasil em 24 de maio pela fronteira com a Argentina e, posteriormente, viajou aos Estados Unidos antes de seguir para a Itália. Em entrevistas, afirmou buscar proteção e acusou o STF de perseguição — argumento rejeitado pelo MP italiano.

Com o adiamento, a defesa terá prazo para examinar o material enviado pelo governo brasileiro antes da decisão final da Corte de Roma.


CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE