
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a solicitar ao Supremo Tribunal Federal (STF) que ele seja submetido a uma cirurgia de urgência e transferido para prisão domiciliar. O novo pedido foi protocolado nesta segunda-feira (15) e encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, responsável pela execução penal do ex-presidente no tribunal. Esta é a segunda solicitação apresentada pela defesa em menos de uma semana.
Na última terça-feira (9), os advogados pediram que Bolsonaro deixasse a Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde cumpre pena, para ser transferido a um hospital da capital federal, a fim de realizar um procedimento cirúrgico. Em resposta, Alexandre de Moraes determinou que a Polícia Federal realizasse uma perícia médica independente no prazo de 15 dias, ao considerar que os exames apresentados estavam desatualizados.
No mesmo dia, a defesa solicitou autorização para que o médico Bruno Luís Barbosa Cherulli realizasse um ultrassom das regiões inguinais direita e esquerda do ex-presidente. O exame foi autorizado e realizado neste domingo (14). Após o procedimento, a equipe médica reforçou a necessidade de nova cirurgia, indicada para tratar duas hérnias inguinais.
Em manifestação ao STF, os advogados afirmaram que houve evolução objetiva do quadro clínico, agora amparada por exames recentes e por novo relatório médico conclusivo.
“O estado de saúde do sentenciado é grave, complexo e progressivamente debilitado”, diz o pedido, que sustenta a necessidade de atuação imediata.
A defesa também requer que os novos elementos médicos sejam considerados na análise de uma possível prisão domiciliar humanitária, alegando incompatibilidade do quadro clínico atual com o cumprimento da pena em estabelecimento prisional.
Os médicos Claudio Birolini e Leandro Echenique informaram que, após reavaliação clínica e ultrassonografia da parede abdominal e da região inguinal, é necessária a realização de procedimento cirúrgico com internação hospitalar. Segundo o relatório, os sintomas de dor e desconforto se intensificaram em razão de crises frequentes de soluço, que aumentam a pressão abdominal.
O exame ultrassonográfico descreve protrusão de alça intestinal durante a manobra de Valsalva, condição que pode levar a encarceramento ou estrangulamento intestinal, com risco de cirurgia de emergência.
De acordo com a equipe médica, o tempo estimado de internação é de cinco a sete dias, período necessário para avaliação pré-operatória, realização do procedimento cirúrgico e anestésico, controle da dor, profilaxia de eventos trombóticos e fisioterapia motora.
Durante a internação, Bolsonaro também deverá ser submetido a exames para reavaliar condições de saúde já diagnosticadas, como hipertensão arterial, estenose das artérias carótidas, doença do refluxo gastroesofágico, neoplasia maligna da pele, episódios recorrentes de pneumonia, soluços incoercíveis e anemia por deficiência de ferro.
Até a última atualização desta reportagem, o STF ainda não havia se manifestado sobre o novo pedido da defesa.