Agro

Mudanças climáticas

Estudo aponta que mudanças climáticas estão encarecendo alimentos no mundo; café do Brasil está entre os mais afetados

Pesquisa internacional mostra impacto de secas, chuvas extremas e ondas de calor em produtos como café, cacau, arroz, batata e azeite.

Por Seridoense em 1 de agosto de 2025

Foto: Reprodução/ Word imagens

Secas prolongadas, chuvas extremas e ondas de calor intensas estão elevando os preços dos alimentos em todo o mundo, segundo um estudo internacional realizado pela The Food Foundation em parceria com o Centro de Supercomputação de Barcelona. A pesquisa analisou 16 casos em 18 países entre 2022 e 2024 e apontou que, em média, alimentos saudáveis custam o dobro por caloria em relação aos menos saudáveis.

No Brasil, o destaque foi o café arábica, produto no qual o país é líder mundial em produção e exportação. Após a seca de 2023, que os cientistas afirmam ter sido de 10 a 30 vezes mais provável devido às mudanças climáticas, os preços globais subiram 55% em agosto de 2024. Já o café robusta (conilon) registrou aumento de 100% em julho de 2024, influenciado por ondas de calor recordes no Vietnã, maior produtor dessa variedade.

Outros produtos também sofreram elevação expressiva. No Reino Unido, a batata teve alta de 22% no início de 2024, após chuvas extremas no inverno. Nos Estados Unidos e no México, os vegetais ficaram mais caros devido a secas severas entre 2022 e 2023, com reajustes que chegaram a 80% na Califórnia e Arizona e 20% no mercado mexicano.

O azeite europeu subiu 50% no verão de 2024, reflexo da seca que atingiu Espanha e Itália em 2022. Já o cacau registrou o aumento mais expressivo: 280% em abril de 2024, após uma onda de calor na Costa do Marfim e em Gana — países responsáveis por 60% da produção global — que elevou as temperaturas locais em cerca de 4°C.

Os pesquisadores reforçam que eventos climáticos extremos estão se tornando mais frequentes e intensos, impactando diretamente a produção agrícola, encarecendo alimentos básicos e pressionando a segurança alimentar global.


CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE