Saúde & Bem Estar

Saúde Materno-Infantil

Estudo da Fiocruz alerta para riscos de dengue, zika e chikungunya durante a gravidez

Pesquisa com mais de 6,9 milhões de nascimentos aponta que arboviroses elevam chances de parto prematuro, baixo peso, anomalias congênitas e até morte neonatal.

Por Seridoense em 30 de setembro de 2025

Foto: Arquivo/Agência Brasil

As doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti — como dengue, zika e chikungunya — representam um desafio crescente para a saúde materno-infantil no Brasil. Um estudo conduzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), publicado na revista Nature Communications, analisou mais de 6,9 milhões de nascidos vivos entre 2015 e 2020 e revelou que a infecção por esses vírus durante a gestação está associada a complicações no parto e riscos ao recém-nascido, incluindo parto prematuro, baixo peso e até óbito neonatal.

A pesquisa, realizada pelo Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Fiocruz Bahia), destacou que gestantes infectadas por arboviroses apresentaram maior probabilidade de parto antes do tempo, baixo escore de Apgar (teste de adaptação do bebê logo após o nascimento) e risco de morte neonatal.

Dengue, zika e chikungunya: diferentes impactos

A dengue mostrou relação não apenas com prematuridade e baixo peso, mas também com anomalias congênitas. Já a zika apresentou efeitos adversos ainda mais amplos, incluindo má-formação congênita, com risco mais que duplicado em comparação a bebês de mães não infectadas.

De acordo com o pesquisador Thiago Cerqueira-Silva, um dos autores do estudo, os padrões de risco variam conforme o vírus e o trimestre da gestação em que ocorre a infecção.

“O estudo fornece evidências robustas de que não apenas a zika representa uma ameaça durante a gravidez. A dengue e a chikungunya também aumentam significativamente o risco de morte neonatal e de anomalias. Essa informação é fundamental para orientar a atenção clínica e a saúde pública”, afirmou.

Prevenção e políticas de saúde

Os cientistas ressaltam que os efeitos das arboviroses durante a gravidez tendem a ser mais severos em comunidades vulnerabilizadas, onde há maior exposição ao mosquito transmissor e menor acesso a cuidados médicos. Além do impacto na saúde, há também um peso financeiro desproporcional para famílias de baixa renda que precisam lidar com complicações neonatais.

Para enfrentar esse cenário, o estudo defende a ampliação da cobertura vacinal contra a dengue e a inclusão da vacina contra a chikungunya no Programa Nacional de Imunizações, garantindo acesso universal e gratuito.

Além disso, os pesquisadores recomendam campanhas educativas para alertar sobre os riscos de todas as arboviroses durante a gestação — e não apenas da zika, que até hoje concentra a maior atenção.

Cenário atual

Os resultados reforçam a importância de intensificar ações de prevenção e vigilância ao longo de toda a gravidez, assegurando proteção tanto para mães quanto para bebês e reduzindo impactos que podem marcar a vida de famílias por muitos anos.


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