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O Itamaraty trabalha para viabilizar uma reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nas próximas semanas. O encontro deve ocorrer por videoconferência ou telefonema, segundo informou o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
A possibilidade foi revelada pelo próprio Trump em seu discurso na abertura da Assembleia-Geral da ONU, na última terça-feira (23). O gesto ocorre em meio à crise diplomática gerada pelas sanções e tarifas impostas pelos EUA ao Brasil, após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos de prisão por crimes relacionados ao golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023.
Segundo Vieira, Lula demonstrou abertura ao diálogo:
“O presidente Lula sempre esteve disposto a conversar com qualquer chefe de Estado que tem interesse em discutir questões com o Brasil. Mas, nesse caso, isso terá de ocorrer por videoconferência ou por telefone, porque o presidente volta para o Brasil amanhã e tem uma agenda muito cheia”, disse à CNN Internacional.
Troca de afagos e críticas
Lula e Trump se cumprimentaram rapidamente na antessala da ONU e combinaram um futuro contato. O presidente americano elogiou o brasileiro:
“Ele me parece um homem muito bom. Ele gostou de mim, eu gostei dele. E eu só faço negócios com quem eu gosto”, declarou Trump.
Apesar da boa vontade, Trump também fez críticas, afirmando que o Brasil enfrenta “afrontas às liberdades” e que só prosperará se fortalecer laços com os EUA.
Já Lula, em seu discurso, rebateu as medidas unilaterais americanas:
“Não há justificativa para as medidas arbitrárias contra nossas instituições e nossa economia. Essa ingerência em assuntos internos conta com auxílio da extrema direita e de antigas hegemonias”, afirmou, sem citar Trump diretamente.
Diplomacia cautelosa
Nos bastidores, diplomatas brasileiros avaliam com cautela um encontro bilateral. O receio é de que Lula passe por situação semelhante à do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, que em fevereiro foi exposto a constrangimentos públicos por Trump em Washington.
Repercussão no Brasil
Enquanto isso, aliados de Bolsonaro minimizam os afagos de Trump a Lula. Para bolsonaristas, o gesto faz parte de uma estratégia para forçar o petista à mesa de negociação. “Trump criou um problema para Lula e ainda ironizou dizendo que o Brasil não tem como ir longe sem os EUA”, avaliou um aliado sob reserva.
Nos bastidores, o entorno do ex-presidente avalia que o silêncio de Trump sobre Bolsonaro também seria uma forma de pressionar o governo brasileiro e manter a condenação do ex-presidente como peça central da crise diplomática.