
Foto: Reprodução/ Canal do Governo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (17) que ainda não existe consenso dentro da União Europeia para a assinatura do acordo de livre comércio com o Mercosul. A expectativa inicial do governo brasileiro era fechar o tratado durante a cúpula do bloco sul-americano, marcada para o próximo sábado (20), em Foz do Iguaçu (PR). No entanto, a resistência de países como França e Itália impede o avanço.
Segundo Lula, o adiamento da cúpula, inicialmente prevista para novembro, ocorreu a pedido da União Europeia, sob a promessa de que o acordo poderia ser aprovado pelos europeus até o dia 19 de dezembro. Agora, porém, o presidente diz ter sido informado de que isso não ocorrerá.
“Eu vou para Foz do Iguaçu na expectativa de que eles digam sim, e não digam não. Mas, também, se disserem não, nós vamos ser duros daqui para frente com eles, porque nós cedemos a tudo que era possível a diplomacia ceder”, afirmou Lula, durante reunião com ministros na Granja do Torto, em Brasília.
O presidente também criticou a demora na conclusão do pacto, que vem sendo negociado há mais de 20 anos. Para ele, o acordo favorece mais os países europeus do que o Mercosul, e as principais resistências têm origem em disputas internas da União Europeia — especialmente ligadas ao setor agrícola francês.
A França lidera o grupo contrário ao acordo, alegando que agricultores poderiam enfrentar concorrência desleal com produtos do Mercosul, considerados mais competitivos. A Itália também se mostrou contrária e, junto de países como Polônia e Hungria, integra o bloco de resistência. Áustria e Irlanda podem se opor ao texto, enquanto a Bélgica sinalizou que deve se abster.
Na terça-feira (16), o Parlamento Europeu aprovou mecanismos de salvaguarda para importações agrícolas, endurecendo pontos da proposta original apresentada pela Comissão Europeia. As mudanças agora precisam ser negociadas com o Conselho Europeu, que deve se reunir nesta quinta (18) e sexta-feira (19). Caso avance, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pode viajar ao Brasil para participar da assinatura.
Se aprovado, o acordo criará a maior zona de livre comércio do mundo, envolvendo os 27 países da União Europeia e os cinco integrantes do Mercosul. No entanto, o texto ainda depende de maioria qualificada no Conselho Europeu — pelo menos 15 países representando 65% da população do bloco.
Enquanto as negociações seguem, Lula reforça que o Brasil já fez concessões e espera reciprocidade. Segundo o presidente, o país manterá sua posição, mas, se houver nova negativa, adotará uma postura mais firme diante dos europeus.