
Foto: José Cruz/Agência Brasil/Arquivo
A expectativa do mercado financeiro para a inflação em 2025 registrou queda e passou de 4,36% para 4,33%, segundo o boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (22) pelo Banco Central. A revisão marca a sexta redução consecutiva nas projeções, aproximando o índice do centro da meta para o próximo ano.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência oficial da inflação do país, agora se encontra dentro do intervalo previsto pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que estabelece meta de 3% com tolerância entre 1,5% e 4,5%.
As estimativas também apontam para recuo gradual da inflação nos próximos anos: 4,06% em 2026, 3,8% em 2027 e 3,5% em 2028. A tendência é influenciada pelo cenário de desaceleração econômica e vigilância sobre preços administrados e serviços, que exercem pressão relevante no indicador.
Em novembro, a inflação mensal foi de 0,18%, influenciada principalmente pela alta nas passagens aéreas. Mesmo assim, o IPCA acumula alta de 4,46% em 12 meses, mantendo-se dentro da meta estabelecida pelo CMN.
Selic permanece em 15% ao ano
Para conter a inflação, o Banco Central mantém a Taxa Selic em 15% ao ano — maior nível desde 2006. A decisão de manter os juros elevados foi reforçada na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que alegou incertezas no cenário econômico e necessidade de cautela.
O mercado projeta cortes apenas a partir de 2026, quando a taxa deve recuar para 12,25% ao ano. Para 2027 e 2028, as projeções são de novas reduções, para 10,5% e 9,75%, respectivamente.
A política monetária tem impacto direto no crédito e na atividade econômica: juros elevados retraem a demanda e ajudam a conter preços; já juros menores estimulam consumo e produção, mas exigem atenção para evitar novos avanços inflacionários.
PIB e câmbio
Além da inflação, o boletim Focus revisou levemente para cima a projeção de crescimento econômico em 2025: de 2,25% para 2,26%. Para os anos seguintes, o PIB deve avançar 1,8% em 2026, 1,81% em 2027 e 2% em 2028.
Após crescer 3,4% em 2024 — maior avanço desde 2021 — a economia brasileira manteve trajetória de quatro anos consecutivos de expansão, impulsionada pelos setores de serviços e indústria.
A expectativa para o dólar é de R$ 5,43 ao fim de 2025, chegando a R$ 5,50 ao final de 2026.
Com a inflação em queda, juros estáveis e projeções moderadas para atividade econômica, o cenário aponta para um ciclo de transição, no qual o Banco Central busca equilíbrio entre controle de preços e estímulo gradual ao crescimento.