
Foto: Rafael Nascimento/MS
O Ministério da Saúde lançou nesta quinta-feira (25), em São Paulo, uma campanha nacional para incentivar a doação de órgãos, em um esforço para reduzir a recusa familiar, que ainda atinge 45% dos casos no Brasil. A iniciativa foi apresentada no Hospital do Rim e também marca a criação da primeira Portaria específica para a Política Nacional de Doação e Transplantes desde 1997.
Com o tema “Doação de Órgãos. Você diz sim, o Brasil inteiro agradece”, a campanha busca conscientizar a população sobre a importância de manifestar, em vida, o desejo de ser doador. Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a decisão da família é determinante, e o diálogo prévio pode salvar vidas. “Quando um profissional de saúde vier conversar com a família, ela terá a segurança de saber que o processo é sério e reconhecido internacionalmente”, afirmou.
A nova política estabelece diretrizes para garantir ética, transparência e acesso gratuito pelo SUS. Entre os avanços, estão a inclusão dos transplantes de intestino delgado e multivisceral na rede pública e a utilização da membrana amniótica em pacientes queimados, principalmente crianças, favorecendo a cicatrização e reduzindo dores e infecções.
O ministro também lançou o Programa Nacional de Qualidade na Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (Prodot), que prevê incentivos financeiros para equipes hospitalares que atuam na identificação de potenciais doadores, estimulando a eficiência do processo.
Atualmente, o Brasil ocupa a terceira posição mundial em número absoluto de transplantes, mas lidera em procedimentos realizados exclusivamente pelo sistema público. Só no primeiro semestre deste ano, foram feitos 14,9 mil transplantes. Mesmo assim, mais de 80 mil pessoas aguardam por órgãos.
O Ministério reforça que a decisão pela doação depende, em grande parte, da autorização da família. Por isso, o convite central da campanha é que todos conversem com seus entes queridos sobre essa escolha.