Saúde & Bem Estar

Alerta Sanitário

Ministro da Saúde recomenda evitar destilados sem procedência diante de risco de metanol

Alexandre Padilha reforçou que a população deve ter cautela, listou orientações e anunciou estoque emergencial de etanol farmacêutico para hospitais

Por Seridoense em 3 de outubro de 2025

Foto: Freepik

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reforçou nesta quinta-feira (2) a recomendação de que a população deve evitar o consumo de bebidas destiladas quando não houver certeza da origem da fabricação. A medida foi destacada após a confirmação de novos casos de intoxicação por metanol em bebidas adulteradas.

“Recomendo na condição de ministro da Saúde, mas também como médico: evite, neste momento, ingerir um produto destilado, sobretudo os incolores, que você não tem a absoluta certeza da origem dele. Não estou falando de um produto essencial para a vida das pessoas, um produto da cesta básica. É um produto que é objeto de lazer. Não faz problema nenhum na vida de ninguém evitar o consumo desses destilados”, declarou Padilha.

Orientações do Ministério da Saúde

O ministro listou três recomendações principais à população:

  • Certeza da procedência da bebida: não aceitar bebidas de origem desconhecida ou repassadas informalmente em festas.

  • Alimentação e hidratação adequadas: estar bem alimentado e hidratado pode reduzir impactos em casos de ingestão acidental, embora não elimine os riscos.

  • Evitar dirigir após consumo: mesmo em situações de lazer, a recomendação de não dirigir após beber segue sendo fundamental.

Padilha explicou ainda que a adulteração com metanol é mais recorrente em destilados incolores, já que o processo criminoso é mais difícil de aplicar em cervejas, por conta da embalagem e da presença de gás carbônico.

Situação no Brasil

De acordo com o último balanço do Ministério da Saúde, o país já soma 59 notificações de intoxicação por metanol:

  • 53 em São Paulo

  • 5 em Pernambuco

  • 1 no Distrito Federal

Desses, 11 casos já tiveram confirmação laboratorial da presença da substância.

O governo confirmou também uma morte em São Paulo, de um homem de 54 anos, e cinco óbitos em investigação: três na capital paulista e dois em São Bernardo do Campo.

Estoque de antídotos

Para reforçar a rede hospitalar, o ministério anunciou a compra de 4.300 ampolas de etanol farmacêutico, que já começaram a ser distribuídas para hospitais universitários federais e centros de referência. O produto age como antídoto, impedindo que o metanol seja convertido em ácido fórmico, substância responsável pelos danos mais graves ao organismo.

A Anvisa também identificou 604 farmácias no Brasil que produzem etanol farmacêutico e orientou gestores municipais e estaduais sobre como acessar o estoque. Em cada capital, uma ou mais farmácias devem ser designadas como referência para resposta rápida em situações de emergência.

Além disso, o Ministério da Saúde instalou uma Sala de Situação Nacional em Brasília para monitorar casos e coordenar ações conjuntas com outros órgãos, como Justiça, Agricultura, Conass, Conasems, Anvisa e secretarias de saúde de São Paulo e Pernambuco.

Risco do metanol

O metanol é um álcool usado industrialmente em solventes e combustíveis, mas altamente tóxico quando ingerido. O fígado transforma a substância em metabólitos que atacam o sistema nervoso, a medula, o cérebro e o nervo óptico, podendo causar cegueira, falência de órgãos e morte.


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