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Morre Bira Presidente, ícone do samba e fundador do Cacique de Ramos e Fundo de Quintal

Sambista faleceu aos 88 anos no Rio de Janeiro; velório será realizado nesta segunda-feira (16)

Por Seridoense em 15 de junho de 2025

Foto: @luizfabianofoto

O samba brasileiro perdeu uma de suas maiores referências. O sambista Ubirajara Félix do Nascimento, conhecido como Bira Presidente, faleceu aos 88 anos na noite deste sábado (14), no Hospital Unimed Ferj, na Barra da Tijuca, Zona Sul do Rio de Janeiro. A informação foi confirmada por meio de uma nota de pesar publicada na página oficial do artista.

Segundo o comunicado, Bira estava internado em decorrência de complicações provocadas por um câncer de próstata e pela doença de Alzheimer. Ele deixa as filhas Karla Marcelly e Christian Kelly, os netos Yan e Brian, além da bisneta Lua.

O velório será realizado nesta segunda-feira (16), no cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, Zona Oeste do Rio de Janeiro, das 14h às 16h30.

Uma vida dedicada ao samba

Nascido em 23 de março de 1937, no Rio de Janeiro, Bira Presidente foi um dos pilares da construção e transformação do samba no Brasil. Crescido no bairro de Ramos, Bira conviveu desde cedo com ícones da música brasileira como Pixinguinha, João da Baiana e Donga. Seu envolvimento com o samba começou ainda na infância, e aos sete anos ele foi “batizado” na Estação Primeira de Mangueira, escola que sempre carregou no coração.

Cacique de Ramos: o nascimento de um legado

Em 20 de janeiro de 1961, Bira fundou o Grêmio Recreativo Cacique de Ramos, um dos blocos de carnaval mais tradicionais e importantes da história do samba. O Cacique, que surgiu da união de pequenos blocos do bairro de Ramos, se transformou em um centro cultural que revolucionou as rodas de samba do subúrbio carioca. Na sede, apelidada de “Doce Refúgio”, nasceram movimentos e grupos que marcariam gerações.

Bira foi o primeiro e único presidente da agremiação até sua morte, sendo carinhosamente conhecido como “o próprio Cacique”.

Fundo de Quintal: a revolução na roda de samba

No final da década de 1970, das rodas do Cacique de Ramos surgiu o grupo Fundo de Quintal, do qual Bira foi um dos fundadores. O grupo revolucionou o samba ao incorporar instrumentos como tantã, repique de mão e banjo, criando uma sonoridade que se tornou marca registrada do estilo.

Entre os grandes sucessos do Fundo de Quintal com Bira estão músicas como:

  • “O Show Tem Que Continuar”

  • “A Amizade”

  • “Do Fundo do Nosso Quintal”

  • “Lucidez”

  • “Nosso Grito”

Além do sucesso com o Fundo de Quintal, Bira participou de gravações históricas, como o álbum De Pé no Chão de Beth Carvalho, e trabalhou com grandes nomes da Música Popular Brasileira (MPB). Reconhecido como um dos maiores pandeiristas do país, Bira era sinônimo de alegria, carisma e autenticidade nas rodas de samba e nos palcos.

Um símbolo do samba e da cultura popular

Servidor público por décadas antes de se dedicar integralmente à música, Bira era torcedor do Flamengo e apaixonado por dança de salão. Era uma figura muito querida no cenário cultural e deixa um legado de luta, inovação e resistência em prol do samba.

Bira Presidente será lembrado não apenas como músico, mas como um líder comunitário e cultural que ajudou a transformar o samba e a cultura popular brasileira. Seu nome permanecerá eternizado na história.


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