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Uma ação ambiental está em curso na Ribeira, em Natal, para combater o descarte irregular de lixo e minimizar os impactos negativos na rede de drenagem urbana. Até o final de 2025, a cidade terá 47 filtros internos, conhecidos como Eco Bueiros, instalados nas bocas de lobo das Ruas Frei Miguelinho e Avenida Tavares de Lira.
Os Eco Bueiros funcionam como peneiras que impedem a passagem de resíduos sólidos, como garrafas plásticas, isopor, folhas e utensílios descartáveis, evitando que esses materiais sejam levados para a rede de drenagem e, consequentemente, para o Rio Potengi.
A iniciativa, de baixo custo e grande impacto, busca enfrentar um problema crônico da capital: os constantes alagamentos causados pelo entupimento das redes pluviais devido ao lixo descartado inadequadamente. Durante as chuvas, esses resíduos são arrastados para os bueiros, contribuindo para enchentes mesmo em tempestades de curta duração.
Na última terça-feira (17), a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) apresentou o projeto à comunidade local, incluindo moradores e comerciantes da região que relataram os transtornos frequentes causados pelas enchentes. “Infelizmente, é a própria população que joga resíduos nas ruas. Faço minha parte, mas sei que a transformação real virá com mais educação ambiental”, disse o comerciante Edmilson dos Santos.
De acordo com o Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, Natal produz cerca de 800 toneladas de resíduos por dia, sendo que 30% desse total são recicláveis. A falta de descarte adequado compromete a eficiência da drenagem urbana e agrava os alagamentos em períodos chuvosos.
“O maior problema se forma durante as chuvas, quando o lixo é arrastado para as redes de drenagem que frequentemente estão obstruídas, o que gera alagamentos”, explicou Tarciso Sampaio, biólogo do Setor de Educação Ambiental e Biblioteconomia (SEAB).
Além da instalação dos Eco Bueiros, a ação inclui a colocação de novas lixeiras nas vias e a realização de atividades de conscientização junto à comunidade. A proposta é estimular o cuidado coletivo com os espaços públicos e a preservação ambiental.
Juventude ribeirinha ajuda o rio a resistir
O Rio Potengi, símbolo histórico e ecológico de Natal, vive hoje uma situação crítica de degradação. O descarte irregular de lixo e a ausência de políticas públicas contínuas de recuperação colocam em risco o estuário e as comunidades que dependem dele.
Segundo o Instituto Navegar, que atua há oito anos na região, especialmente no bairro Passo da Pátria, mais de 8 toneladas de resíduos já foram retiradas do Potengi por mutirões comunitários. Os materiais incluem plásticos, vidros, móveis e grandes volumes de isopor, um dos maiores vilões ambientais por ser leve e facilmente transportado pelas marés.
O Instituto Navegar desenvolve projetos contínuos de educação ambiental e inclusão social com crianças e adolescentes da rede pública, formando os chamados “guardiões do mangue”. As atividades incluem aulas práticas no mangue, travessias no rio e oficinas de vela realizadas em parceria com o Iate Clube.
Mais de 450 pessoas já participaram das ações do instituto, que incluem ainda o plantio de mudas de mangue e o mapeamento dos resíduos encontrados no estuário.
“Estamos criando uma nova cultura de relação com o rio, em um território marcado por exclusões, mas também por resistências”, afirmou Tárcis Trajano, presidente do Instituto Navegar.