
Foto: Reprodução/ Instagram @drtedros
A Organização Mundial da Saúde (OMS) está enfrentando a maior crise de financiamento de sua história, segundo declarou nesta quinta-feira (1º) o diretor-geral da instituição, Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante entrevista coletiva em Genebra, na Suíça. A situação se agravou com a retirada dos Estados Unidos da organização, anunciada ainda durante a gestão do ex-presidente Donald Trump, que alegou insatisfação com a atuação da OMS na pandemia da Covid-19.
Os EUA, que tradicionalmente eram os maiores doadores, contribuíam com cerca de 18% do orçamento total da entidade. A saída norte-americana, somada à redução de aportes voluntários de outros países, levou a OMS a rever seu planejamento orçamentário. A proposta atual prevê um corte de 21% no orçamento do biênio 2026-2027, caindo de US$ 5,3 bilhões para US$ 4,2 bilhões.
Além da redução orçamentária, a organização também planeja cortar postos de trabalho em sua sede, em Genebra, e encerrar operações em alguns escritórios de países de alta renda. A estimativa, segundo o diretor-geral adjunto de Operações Comerciais da OMS, Raul Thomas, é que cerca de 25% dos custos com pessoal não estejam cobertos nos próximos dois anos. Ainda não há definição sobre quantos funcionários serão afetados, pois isso dependerá da localização e do nível hierárquico dos cargos a serem eliminados.
“É claro que é muito doloroso”, lamentou Tedros, reforçando que os cortes trarão consequências significativas para a saúde pública mundial, especialmente em regiões mais vulneráveis. Segundo ele, as equipes da OMS ainda avaliam a possibilidade de novas revisões no orçamento, de acordo com o comportamento das contribuições internacionais.
Outro ponto sensível, segundo Tedros, é a estrutura de arrecadação da OMS, que depende em 80% de doações voluntárias feitas por um número reduzido de países. A organização tenta agora diversificar sua base de financiamento para evitar novas crises como a atual.
Apesar das dificuldades, o diretor-geral afirmou que mantém diálogo com o governo norte-americano, mesmo sem contato direto com o ex-presidente Trump, buscando esclarecer ações da organização e responder a questionamentos.