
Foto: Daniela Santos
Ao menos 25 países manifestaram preocupação com os altos preços de hospedagem e a escassez de vagas em Belém (PA), sede da COP30, marcada para novembro. Representantes internacionais alertam que os custos, em alguns casos chegando a US$ 700 por noite, estão muito acima do subsídio diário pago pela ONU a delegações de países mais vulneráveis, que varia entre US$ 149 e US$ 220.
A situação tem gerado pressão para que a conferência seja transferida para outra cidade com maior capacidade hoteleira. Delegações da África, Europa e Ásia indicam que podem reduzir suas equipes ou até não comparecer caso não haja solução rápida. Países como Holanda e Polônia também estudam enviar menos representantes.
A escolha de Belém, considerada estratégica por situar a conferência no coração da Amazônia, agora enfrenta um desafio logístico que ameaça seu simbolismo. Além da falta de leitos, o valor das diárias é apontado como fator que pode excluir a participação de países de menor renda, prejudicando a representatividade das negociações climáticas.
O governo brasileiro tenta conter a crise e anunciou medidas emergenciais: criação de um portal oficial de reservas com preços controlados, contratação de dois navios de cruzeiro para acrescentar cerca de 6 mil leitos e negociação para uso temporário de escolas e quartéis como hospedagem. Mesmo assim, estimativas indicam que ainda haverá déficit de vagas.
O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, reconheceu as reclamações e disse que “alguns países têm pedido a transferência da sede” caso a questão não seja resolvida. O Brasil prometeu apresentar um pacote de soluções até 11 de agosto.