Política

Investigação

PF aponta suposto desvio de cota parlamentar e movimentações milionárias envolvendo deputados Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy

Relatório que embasou operação no STF indica possível prática de peculato e uso de empresa de fachada; ministro Flávio Dino determinou quebra de sigilo bancário dos parlamentares.

Por Seridoense em 20 de dezembro de 2025

Foto: reprodução

A Polícia Federal apontou, em relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), suspeitas de que os deputados federais Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Carlos Jordy (PL-RJ) teriam se beneficiado de desvios de recursos da cota parlamentar. O documento embasou uma operação deflagrada nesta sexta-feira 19, exatamente um ano após diligências realizadas contra assessores dos parlamentares.

De acordo com a PF, o suposto esquema teria sido operacionalizado por meio de servidores comissionados ligados aos deputados, entre eles Adailton Oliveira dos Santos, assessor do PL, e Itamar de Souza Santana, assessor de Jordy. As investigações apontam o uso de uma empresa de fachada — a Harue Locação de Veículos LTDA ME — para movimentar os valores.

A decisão do ministro relator Flávio Dino, do STF, destaca que Adailton teria realizado créditos que totalizam R$ 11.491.410,77 e débitos de R$ 11.486.754,58, com maior volume entre 2023 e 2024. Segundo a PF, parte expressiva dessas operações não teve origem ou destino identificados.

Em relação a Itamar de Souza Santana, o relatório registra movimentações de R$ 5.907.578,17 em créditos e R$ 5.901.138,68 em débitos, também sem justificativa clara para parte dos valores. Para os investigadores, os montantes são incompatíveis com a capacidade econômica declarada pelo assessor, evidenciando necessidade de aprofundamento.

O documento aponta ainda que Adailton teria direcionado R$ 2.789.526,93 a beneficiários não identificados, classificados como “nome não identificado”. Itamar, por sua vez, teria remetido R$ 640.020 nessas mesmas condições.

Segundo o relatório, o suposto grupo teria atuado com divisão de tarefas e objetivo de ocultar valores oriundos de infração penal, possibilitando enquadramento no crime de peculato. Além dos assessores, pessoas da família de Adailton e Itamar também são mencionadas como possíveis integrantes da organização criminosa.

Com base no material, o ministro Flávio Dino determinou a quebra de sigilo bancário, de bens e direitos dos deputados Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy. As investigações seguem sob sigilo e podem resultar em novas diligências.

Os parlamentares são investigados por possível desvio da cota parlamentar, recurso destinado ao exercício das atividades dos mandatos.


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