Justiça

Não é o bichão?

Preso por tentativa de feminicídio denuncia agressões e maus-tratos no sistema prisional do RN

Acusado de atacar ex-companheira com mais de 60 socos em Natal afirma ter sido agredido por policiais penais; SEAP e Polícia Civil investigam.

Por Seridoense em 2 de agosto de 2025

Foto: Reprodução/Redes sociais

O detento Igor Eduardo Pereira Cabral, de 29 anos, acusado de tentar matar a ex-companheira Juliana Soares no último sábado (26), em Natal, registrou um boletim de ocorrência denunciando supostos maus-tratos e agressões sofridos enquanto esteve sob custódia no sistema prisional do Rio Grande do Norte.

Segundo o relato, após a audiência de custódia no Fórum da Ribeira, ele foi transferido para o Centro de Recebimento e Triagem (CRT), em Parnamirim, onde inicialmente ficou em cela comum, sem incidentes. Dias depois, teria sido colocado em isolamento e ameaçado por um policial penal encapuzado.

Ao chegar à Cadeia Pública Dinorá Simas Lima Deodato, em Ceará-Mirim, o acusado afirma ter sido mantido nu, algemado, agredido fisicamente, ameaçado, filmado por agentes penitenciários e até incentivado a tirar a própria vida. Um laudo do Instituto Técnico-Científico de Perícia (ITEP) constatou escoriações em várias partes do corpo, classificadas como lesões leves.

A Secretaria de Administração Penitenciária (SEAP) informou que, assim que recebeu a denúncia, deslocou equipes da Coordenadoria da Administração Penitenciária e da Ouvidoria do Sistema Penitenciário para acompanhar o caso e garantir os procedimentos legais. A Corregedoria da Polícia Penal abriu investigação interna e a Polícia Civil será responsável pela apuração criminal.

Igor Eduardo responde por tentativa de feminicídio após agredir Juliana Soares com pelo menos 60 socos no rosto dentro de um elevador, em um condomínio no bairro de Ponta Negra, zona Sul de Natal. O crime é investigado como violência de gênero. A vítima passou por cirurgia de reconstrução facial nesta sexta-feira (1º), no Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL), e permanece internada sob observação.

O caso gerou ampla repercussão e reforçou o debate sobre a violência contra a mulher, ao mesmo tempo em que as denúncias do acusado levantam questionamentos sobre a conduta de agentes do sistema prisional, que agora são alvo de investigação.


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