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Primeiro voo comercial de foguete no Brasil é adiado novamente e tem nova previsão para sexta-feira

Lançamento do HANBIT-Nano ocorreria nesta quarta-feira (17), mas foi remarcado após identificação de anomalia no sistema de resfriamento; missão segue prevista para a Base de Alcântara.

Por Seridoense em 18 de dezembro de 2025

Foto: Divulgação/Innospace

O primeiro lançamento de um foguete comercial no Brasil, previsto para esta quarta-feira (17), foi adiado novamente. A informação foi confirmada pela empresa sul-coreana Innospace, responsável pela missão, e pela Força Aérea Brasileira (FAB). A nova previsão é para sexta-feira (19), na Base de Alcântara, no Maranhão.

Segundo a empresa, o adiamento é necessário para garantir a substituição de componentes após uma anomalia ser identificada no dispositivo de resfriamento do sistema de fornecimento de oxidante do primeiro estágio do HANBIT-Nano, durante a inspeção final. A Innospace afirmou que apenas peças específicas serão trocadas e que o foguete não apresenta danos estruturais, permitindo que o procedimento seja realizado com o veículo já posicionado na plataforma.

A FAB declarou que mantém suas estruturas e equipes prontas para o lançamento, atuando em coordenação com os órgãos envolvidos. A Agência Espacial Brasileira (AEB) reforçou que o ajuste não compromete o padrão de segurança da operação e destacou que procedimentos dessa natureza fazem parte das boas práticas no setor espacial.

Esta é a segunda remarcação da missão. Em novembro, o lançamento previsto também foi adiado na véspera, para realização de ajustes adicionais.

Foto: INNOSPACE

O HANBIT-Nano tem 21,9 metros de altura, pesa 20 toneladas e possui 1,4 metro de diâmetro. Em sua trajetória até a órbita, poderá atingir velocidade de até 30 mil km/h. O foguete levará cinco satélites e três dispositivos de pesquisa desenvolvidos no Brasil e na Índia, com foco em estudos ambientais, comunicações e análise solar.

A operação faz parte da missão Spaceward, coordenada pela FAB e pela AEB, e marca um avanço no processo de inserção do Brasil no mercado global de lançamentos espaciais. Caso seja bem-sucedida, a iniciativa pode fortalecer a Base de Alcântara como um centro comercial competitivo, graças à sua localização estratégica próxima à Linha do Equador — condição que reduz o consumo de combustível e custos operacionais.

Construída na década de 1980, a base já foi alvo de debates e desafios, incluindo o acidente de 2003 e questões fundiárias envolvendo comunidades locais. No entanto, a assinatura do Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST), em 2019, viabilizou o uso comercial por empresas estrangeiras, abrindo caminho para projetos como o da Innospace.

A compensação paga ao governo brasileiro não foi divulgada, mas a AEB informou que o contrato respeita o modelo de retribuição mínima, sem previsão de lucro.

Se a missão Spaceward for confirmada nesta semana, o Brasil dará um passo importante na consolidação de sua presença no setor, podendo atrair novos investimentos e fortalecer o Programa Espacial Brasileiro.


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