Política

Greve

Servidores da saúde de Natal rejeitam proposta de reajuste e entram em greve por tempo indeterminado

Prefeitura ofereceu 5,47% de aumento, mas categoria reivindica 24% e denuncia precarização nas unidades de saúde.

Por Seridoense em 17 de junho de 2025

Foto: Sindsaúde / Reprodução

Os servidores da saúde de Natal decidiram entrar em greve por tempo indeterminado após rejeitarem, de forma unânime, a proposta de reajuste salarial apresentada pela Prefeitura. O índice de aumento sugerido pela gestão municipal foi de 5,47%, valor considerado insuficiente pela categoria, que cobra um reajuste de 24%.

A proposta formal foi apresentada nesta segunda-feira (16), durante uma reunião entre representantes do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde do Rio Grande do Norte (Sindsaúde) e os secretários Brenno Queiroga (Administração), Geraldo Pinho (Saúde) e Marcelo Oliveira (Finanças). De acordo com a Prefeitura, o percentual proposto corresponde à inflação oficial acumulada pelo IPCA entre março de 2024 e março de 2025. O aumento, caso aceito, seria implantado já na folha de pagamento de junho.

No ofício encaminhado ao Sindsaúde, a Prefeitura destacou que a proposta representa o “possível” no momento, levando em consideração a necessidade de manter a responsabilidade fiscal e o equilíbrio das contas públicas. Além do reajuste, o Executivo municipal propôs a abertura de uma mesa de negociação em até 60 dias para discutir outras pautas, como o pagamento retroativo referente aos meses de março, abril e maio, bem como gratificações e auxílios.

A categoria, no entanto, rejeitou prontamente a proposta. Em assembleia realizada nesta terça-feira (17), o Sindsaúde deflagrou a greve e criticou duramente a oferta do município. “É um escárnio”, declarou Humberto Tavares, diretor do sindicato. Segundo ele, a categoria está há 11 anos sem reajuste salarial e sem data-base definida. Tavares ainda denunciou a precarização das condições de trabalho nas unidades de saúde da capital, com falta de recursos humanos e de insumos básicos.

“Não aceitamos a proposta da prefeitura, que foi um reajuste de 5,47%. Estamos reivindicando 24%. São 11 anos sem aumento, sem data-base. Não temos RH suficiente nas unidades. As unidades estão sucateadas, e faltam insumos. Falta muita coisa na saúde de Natal para ser saúde”, destacou o diretor.

Segundo o sindicato, diversas categorias aderiram ao movimento já no primeiro dia, incluindo bioquímicos, farmacêuticos, dentistas, enfermeiros, auxiliares, técnicos e parte das equipes do Samu. Tavares também denunciou que os servidores estariam sofrendo assédio e pressão por parte de diretores de unidades para que a greve não ocorresse.

“A nossa luta não é apenas por questões salariais. Durante a pandemia, fomos heróis sem capa, mas hoje somos tratados como peso morto, como um custo elevado. Não queremos apenas reconhecimento financeiro, queremos respeito e melhores condições de trabalho”, afirmou Humberto Tavares.

Até o momento, a Prefeitura de Natal não apresentou nova proposta para tentar encerrar a greve.


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