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Vendas do Dia das Crianças devem movimentar quase R$ 10 bilhões, aponta CNC

Data deve registrar o melhor desempenho em 12 anos, mas juros altos e inflação ainda freiam crescimento do comércio.

Por Seridoense em 1 de outubro de 2025

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

As vendas para o Dia das Crianças, comemorado no próximo dia 12 de outubro, devem movimentar R$ 9,96 bilhões no comércio em 2025, segundo projeção divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) nesta quarta-feira (1º). O valor representa uma alta de 1,1% em relação ao ano passado, quando as compras chegaram a R$ 9,85 bilhões.

Se confirmada, a previsão marca o melhor resultado da data em 12 anos, ficando atrás apenas de 2014, quando o volume movimentado alcançou R$ 10,5 bilhões. A CNC ressalta que os números já estão corrigidos pela inflação.

O Dia das Crianças é a terceira data mais importante para o varejo, atrás apenas do Natal (R$ 72,8 bilhões em 2024) e do Dia das Mães (R$ 14,5 bilhões em 2025). O setor de vestuário e calçados deve concentrar 27% das vendas, seguido por brinquedos, eletrônicos e chocolates.

Apesar do avanço, o economista-chefe da CNC, Fábio Bentes, pondera que os resultados poderiam ser melhores não fosse o cenário de juros altos e inflação persistente.

“A inflação ainda não está onde a gente quer, e os juros, justamente por conta disso, estão em um patamar muito elevado. Isso freia as compras, porque o crédito fica caro e o consumidor precisa escolher entre gastar em bens não essenciais ou pagar o cartão”, explica.

O Banco Central mantém a taxa Selic em 15% ao ano, buscando controlar a inflação, que acumulou 5,13% nos 12 meses até agosto – acima do teto da meta de 4,5%. Como reflexo, a taxa média de crédito ao consumidor atingiu 57,65% ao ano em julho, o maior patamar para o mês desde 2017. A CNC também destacou que o índice de inadimplência das famílias chegou a 30,4%, recorde da série histórica iniciada em 2010.

Outro ponto de alerta é que o comércio brasileiro acumula quatro meses consecutivos de queda nas vendas, de acordo com o IBGE.

Em relação à inflação dos produtos típicos da data, a CNC estima que os preços subiram 8,5% em média, acima do IPCA geral. Entre os itens com maior alta estão chocolates e eletrônicos, enquanto brinquedos (4,1%) e roupas infantis (3,3%) registraram aumentos abaixo da média.

“No caso do chocolate, o aumento é reflexo da alta internacional do cacau, que impacta diretamente o mercado interno. Já os brinquedos e roupas infantis tiveram uma variação mais moderada, o que ajuda a equilibrar o orçamento das famílias”, completa Bentes.


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