Economia

Economia

Warner Bros. rejeita oferta de US$ 108 bi da Paramount e reforça apoio à venda para a Netflix

Conselho considera proposta hostil inferior ao acordo já firmado com a Netflix e amplia disputa bilionária pelos ativos do estúdio.

Por Seridoense em 18 de dezembro de 2025

Foto: Getty Images

A disputa pelos ativos da Warner Bros. Discovery ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (17) após o conselho da empresa recomendar que seus acionistas rejeitem a proposta de aquisição de US$ 108,4 bilhões apresentada pela Paramount Skydance. O posicionamento reforça o apoio ao acordo já firmado com a Netflix, considerado mais vantajoso no momento.

A Paramount apresentou a oferta de forma hostil, avançando diretamente aos acionistas em busca de apoio, mas o conselho da Warner classificou a proposta como “inferior” ao plano de fusão acertado anteriormente com a Netflix.

No dia 5 de dezembro, a Netflix anunciou um acordo para adquirir os estúdios de cinema e TV, além da divisão de streaming HBO Max, por US$ 72 bilhões. Com a assunção das dívidas, o valor total pode chegar a US$ 82,7 bilhões. Três dias depois, a Paramount tentou frustrar o negócio oferecendo uma quantia maior — porém ainda sem convencer os executivos da Warner.

Em comunicado, a Warner argumentou que o acordo com a Netflix representa uma aliança sólida, com compromisso financeiro definido e potencial para ampliar o alcance global do catálogo da companhia.

O pacote de conteúdos da Warner inclui algumas das produções mais valiosas de Hollywood, como Harry Potter, Friends, franquias da DC, clássicos como Casablanca e Cidadão Kane, além das produções e do catálogo HBO.

A empresa destacou que a parceria com a Netflix pode gerar crescimento estratégico de longo prazo, oferecendo ao público mais opções de conteúdo e fortalecendo o ecossistema criativo com maior capacidade de distribuição.

Netflix x Paramount: dois caminhos distintos

Apesar da oferta bilionária, a Paramount ainda enfrenta desvantagens. A proposta prevê pagamento de US$ 30 por ação em dinheiro, superando o valor por ação implícito da Netflix, mas não apresenta, segundo especialistas, garantia de financiamento tão sólida quanto a competição.

Já a Netflix atraiu o mercado ao propor:

  • manutenção de lançamentos cinematográficos da Warner nas salas de cinema;

  • compra majoritariamente em dinheiro;

  • compromisso com continuidade de marcas fortes do estúdio.

O acordo ainda requer aprovação de órgãos reguladores dos EUA, processo que pode ser acompanhado de perto por autoridades políticas, já mobilizadas desde o anúncio inicial.

Impactos na guerra do streaming

Quem vencer a disputa deve assumir posição de destaque em um mercado em constante transformação. A incorporação do acervo da Warner poderá:

  • fortalecer a presença no streaming global,

  • reduzir dependência de conteúdo externo,

  • abrir espaço para expansão em novos formatos, como games e eventos ao vivo.

A Paramount, por sua vez, busca consolidar-se como um player mais competitivo, especialmente diante da Netflix e de empresas de tecnologia que ampliam sua atuação na indústria do entretenimento.

Enquanto isso, executivos, investidores e reguladores acompanham o desfecho de uma das negociações mais relevantes do setor nas últimas décadas.


CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE