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O que deveria ser uma noite de celebração e música durante o Cactus Moto Fest, em Currais Novos (RN), acabou se transformando em um episódio marcado por indignação e revolta. A banda Camisa de Vênus, atração principal da noite de sábado (24), protagonizou uma apresentação repleta de declarações polêmicas e ofensivas, que causaram profundo mal-estar no público e geraram ampla repercussão negativa.
Durante o show, o vocalista da banda fez comentários pejorativos sobre a cidade, afirmando que “Currais Novos é do outro lado do curral, é um curral só”, menosprezando não apenas a localidade, mas também sua história e população. A situação se agravou quando ele passou a atacar diretamente a fé cristã com expressões consideradas ofensivas, como “Ô Deus… larga de ser escroto e coloca logo na carteira”, além de chamar Jesus de “donzela” e lançar críticas ao líder religioso Edir Macedo, dizendo que ele “vem voltando do inferno”.
As falas geraram reações imediatas de repúdio entre os presentes e também nas redes sociais. A Paróquia de Sant’Ana, por meio do padre Cláudio Dantas de Oliveira, divulgou nota afirmando que a Igreja se sentiu profundamente desrespeitada e ofendida pelas “blasfêmias proferidas em praça pública”.
A Prefeitura de Currais Novos também se manifestou oficialmente:
“Não é aceitável, em nenhuma hipótese, que se use uma plataforma pública para proferir mensagens que atentem contra a dignidade e o respeito.”
O vereador Edmilson Souza informou que levará uma Nota de Repúdio à Câmara Municipal, reforçando que Currais Novos é uma cidade de famílias e que atitudes como essa são incompatíveis com os valores locais.
A organização do evento, Cactus Moto Club, também divulgou nota de repúdio. No comunicado, o clube assumiu a responsabilidade pela escolha da banda, lamentou o ocorrido e reafirmou seu compromisso com a realização de eventos que respeitem o público e a cultura local. Ressaltou ainda que a contratação da banda se deu por critérios artísticos e que as declarações do vocalista não representam os ideais do evento ou de seus apoiadores.
O episódio reacende o debate sobre os limites da liberdade de expressão e a responsabilidade dos artistas ao se apresentarem em espaços públicos que reúnem pessoas de diferentes crenças e culturas. Em uma cidade marcada pela religiosidade e pelo espírito comunitário, as declarações da banda foram vistas não apenas como um ataque à fé, mas também à identidade de um povo.