
Foto: Valter Campanato/ Agência Brasil
O dólar iniciou esta terça-feira (3) com queda de 0,81%, sendo negociado a R$ 5,67. A desvalorização global da moeda norte-americana ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar, na última sexta-feira (31), um plano para dobrar as tarifas sobre as importações de aço e alumínio — passando de 25% para 50% — a partir do dia 4 de junho.
O anúncio gerou receios em relação ao aumento do protecionismo na política comercial dos EUA, levando investidores a se reposicionarem nos mercados internacionais. A reação imediata foi de enfraquecimento do dólar em relação a várias moedas, incluindo o real.
No entanto, no Brasil, o alívio foi limitado por fatores internos, especialmente os ruídos fiscais envolvendo o governo federal. Desde o anúncio, em 22 de maio, de aumentos em diversas alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), a pressão sobre os ativos brasileiros tem sido constante.
A medida, adotada para tentar cumprir a meta fiscal de 2024, provocou forte reação negativa do mercado e do Congresso Nacional. Parlamentares criticaram a forma como o Executivo conduziu a mudança, apontando falta de diálogo com o Legislativo.
O governo chegou a recuar parcialmente em algumas das alterações, mas o desgaste político e a insegurança sobre a política fiscal persistem. Na manhã de segunda-feira (2), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou que espera resolver ainda nesta semana o impasse sobre o IOF, apresentando também medidas estruturais para o equilíbrio das contas públicas.
A combinação entre cenário externo instável e incertezas internas mantém a volatilidade elevada no mercado de câmbio, com analistas atentos tanto à evolução das medidas econômicas do governo brasileiro quanto à nova postura comercial da Casa Branca.