Economia

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Leilão da ANP arrecada quase R$ 1 bilhão e gera protestos de indígenas, quilombolas e ambientalistas

Petrobras adquire 13 blocos de exploração, enquanto grupos sociais denunciam riscos ambientais e falta de diálogo

Por Seridoense em 18 de junho de 2025

Foto: Saulo Cruz/MME

O leilão realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) nesta terça-feira (17) resultou na negociação de 34 blocos de exploração de petróleo nas bacias do Parecis, Foz do Amazonas, Santos e Pelotas, totalizando uma área de 28.359,55 km². Ao todo, 172 áreas foram colocadas em oferta.

Nove empresas — duas brasileiras e sete estrangeiras — arremataram os blocos, desembolsando um total superior a R$ 989 milhões. O investimento mínimo previsto na fase de exploração é de R$ 1,45 bilhão. A Petrobras foi destaque, adquirindo dez blocos na Bacia Foz do Amazonas e três na Bacia de Pelotas, por cerca de R$ 139 milhões.

A diretora-geral interina da ANP, Patricia Baran, comemorou o resultado, especialmente o desempenho das áreas da Margem Equatorial, que registraram ágio superior a 3.000%. “O resultado de hoje demonstra a confiança dos investidores no potencial do Brasil”, avaliou.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, destacou que o leilão integra uma estratégia de descentralização das receitas do setor de petróleo e gás. “Estamos levando riqueza de forma responsável para todas as regiões do país, com foco no crescimento econômico, inclusão social e geração de empregos”, disse.

Apesar da celebração do governo e da indústria, o leilão gerou forte resistência de movimentos sociais, ambientalistas e povos tradicionais. Representantes do povo indígena Tapayuna, de Mato Grosso, realizaram um protesto em frente ao hotel onde ocorreu o leilão, no Rio de Janeiro. “É um ataque ao nosso território sagrado. Somos contra essa exploração”, afirmou o jovem líder Yaiku Tapayuna.

A Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) também repudiou a venda de áreas próximas a territórios quilombolas, especialmente o Bloco 59, na costa do Amapá. A entidade denunciou a ausência de diálogo e classificou a situação como “racismo ambiental e estrutural”.

Ambientalistas do Instituto Arayara e pescadores protestaram na Baía de Guanabara com faixas pedindo o cancelamento do leilão, chamando-o de “Leilão do Juízo Final”. Eles alertaram para os riscos climáticos e defenderam que o governo deveria dar o exemplo em um ano em que o Brasil sediará a COP 30.

O especialista em conservação do WWF-Brasil, Ricardo Fujii, criticou o avanço da exploração em áreas sensíveis como o sistema recifal amazônico e os manguezais. “A Petrobras deveria liderar a transição energética, mas insiste em ampliar um portfólio de alto impacto e risco climático para o país e o planeta”, disse.


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