
Foto: PoderData
Três levantamentos divulgados nesta semana revelam como a opinião pública brasileira reage à recente escalada de tensões diplomáticas e políticas entre Brasil e Estados Unidos.
Segundo pesquisa PoderData (26 a 28 de julho), 59% dos entrevistados preferem que o Brasil mantenha relações comerciais mais próximas com os EUA do que com a China. Apenas 32% defendem prioridade ao país asiático, enquanto 9% não souberam responder. O levantamento ouviu 2.500 pessoas em 182 municípios, com margem de erro de 2 pontos percentuais.
Já pesquisa Datafolha (29 e 30 de julho) mostra que 57% dos brasileiros consideram errado o presidente norte-americano Donald Trump pedir que o Judiciário brasileiro interrompa o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) — apontado como uma das motivações para o tarifaço de 50% contra produtos brasileiros. Outros 36% acham que Trump está certo e 7% não opinaram.
O recorte revela forte polarização: entre eleitores de Bolsonaro em 2022, 66% apoiam a posição de Trump; entre os de Lula, 82% discordam. A pesquisa também questionou se Bolsonaro é “perseguido” pelo Judiciário: 50% disseram que não, enquanto 45% acreditam que sim.
A repercussão das sanções contra o ministro do STF Alexandre de Moraes, anunciadas por Trump com base na Lei Magnitsky, foi majoritariamente negativa nas redes sociais. Levantamento da Quaest indica que, entre 28 e 30 de julho, 60% das 1,6 milhão de menções analisadas criticaram a medida, 28% defenderam e 12% tiveram tom neutro.
Para a Quaest, a utilização da Lei Magnitsky no contexto brasileiro reflete uma tentativa de “internacionalizar a disputa institucional” e buscar legitimidade fora das estruturas do Judiciário e da imprensa nacional, acirrando a polarização política.
O cenário é marcado por uma relação comercial com os EUA que a população deseja ver fortalecida, mas também por resistência a intervenções externas nos processos judiciais brasileiros e a medidas que atinjam diretamente autoridades do país.