
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou nesta segunda-feira (29) estar otimista quanto às negociações com o governo norte-americano para reduzir o tarifaço de 50% aplicado contra exportações brasileiras.
A expectativa surgiu após o breve encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, na semana passada. Segundo Alckmin, Trump sinalizou interesse em conversar, destacando uma “química” entre os líderes.
“Com esse bom encontro, como disse o presidente Trump, acredito que teremos novos passos e bons argumentos, porque o Brasil não é problema para os EUA, que têm superávit na balança comercial conosco”, declarou Alckmin em entrevista à Rádio CBN.
Atualmente, não há encontro agendado entre Lula e Trump, mas o vice-presidente ressaltou que as conversas já ocorrem há meses. Ele lembrou ainda que, recentemente, uma ordem executiva norte-americana zerou tarifas sobre celulose e ferro níquel, beneficiando exportações brasileiras em cerca de US$ 1,7 bilhão.
“O Brasil exportou US$ 40 bilhões para os EUA no ano passado, então cerca de 4% dessas exportações agora têm tarifa zero”, disse.
Alckmin também destacou a possibilidade de investimentos recíprocos. “Muitas empresas brasileiras querem investir nos Estados Unidos. É um ganha-ganha, e esperamos que esse diálogo possa destravar avanços”, afirmou.
Além das negociações com os EUA, o governo brasileiro tem buscado diversificar mercados. Entre as ações recentes estão acordos como Mercosul/Singapura, Mercosul/Sul/Efta e a expectativa de assinatura do Mercosul/União Europeia ainda este ano. Alckmin também anunciou viagem à Índia nos próximos dias, país com 1,4 bilhão de habitantes e crescimento de 6,5% ao ano.
O vice-presidente ainda comentou sobre o interesse internacional nas reservas de terras raras do Brasil, defendendo um levantamento geológico detalhado e a construção de uma cadeia produtiva nacional para agregar valor ao produto.
“O grande desafio é integrar toda a cadeia produtiva, porque temos muitas possibilidades de integração e desenvolvimento econômico”, concluiu.