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Pioneira Agrícola transforma o cenário do agronegócio potiguar com cultivo e exportação de açaí

Empresa de Touros projeta expansão para 150 hectares até 2027 e amplia exportações para o Oriente Médio e Europa.

Por Seridoense em 3 de outubro de 2025

Foto: Reprodução/ Redes Sociais

Sair da agricultura tradicional para investir em uma cultura inovadora foi a aposta da Pioneira Agrícola, empresa de Touros, litoral do Rio Grande do Norte. Fundada por Rodrigo Moura Pires da Cunha e os sócios Daniel França e Carlos Frederico, a empresa iniciou em 2016 com 20 hectares de plantio de açaí, tornando-se pioneira na cultura no estado. Hoje, com quase 80 hectares cultivados em Touros e Pureza, a expectativa é chegar a 150 hectares até 2027.

A cada safra, o plantio dobra, com previsão de expansão de mais 20 hectares para 2025/2026. “Acreditamos que nessa safra vamos exportar cerca de 50% da produção”, afirma Rodrigo Moura. Atualmente, a Pioneira já envia polpa de açaí para diversos países europeus e, desde o final de 2024, firmou contrato para exportar para o Kuwait, com previsão de envio de 100 toneladas em 2025/2026. Em julho deste ano, foi enviado o primeiro contêiner e, agora em outubro, segue o segundo.

O produtor destaca ainda negociações em curso na Europa, incluindo encontros na Fruit Attraction, em Madri, para ampliar os destinos da exportação. No Brasil, a empresa abastece seis estados, e já conta com linha própria de sorvetes à base de açaí, distribuída principalmente em São Paulo e exportada para Kuwait, Itália e Amsterdã.

Inovação e tecnologia no campo e na indústria
Rodrigo Moura destaca que a escolha pelo açaí veio após estudo do potencial da região. “O clima, a qualidade do solo e a disponibilidade de água subterrânea tornam a região propícia para o cultivo. Além disso, existe um mercado gigante e ainda pouco explorado fora do Pará”, explica. Hoje, 94% da produção nacional está concentrada naquele estado.

A empresa aplica técnicas modernas de cultivo, como adubação orgânica e controle biológico de pragas, além de irrigação automatizada e colheita diferenciada, evitando contato do fruto com o chão. Na indústria, foi implantado um circuito fechado de despolpamento com congelamento rápido, preservando sabor, aroma e cor do produto.

Impacto e parcerias no desenvolvimento regional
O ingresso no cultivo do açaí contou com apoio do ELI Agro (Ecossistema Local de Inovação do Agronegócio), do Sebrae/RN. A iniciativa abriu portas para que outros produtores da região do Mato Grande também apostassem na cultura, criando uma rede produtiva. Hoje, pelo menos dez produtores já cultivam açaí para fornecer à Pioneira Agrícola.

“A demanda pelo açaí é maior do que a oferta. Por isso, nossa ideia é fomentar parceiros e crescer como produtores e indústria”, afirma Rodrigo. A expectativa é manter crescimento sustentável pelos próximos anos, considerando o longo ciclo produtivo da cultura, que leva cerca de cinco a seis anos para iniciar a colheita.

Além do açaí, a Pioneira Agrícola mantém produção de coco e macaxeira, mas direciona a maior parte dos investimentos para expansão da cadeia produtiva do açaí, com planos de iniciar também o cultivo de cacau.


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