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Trump Media anuncia fusão com TAE Technologies para entrar no setor de energia de fusão nuclear

Acordo avaliado em mais de US$ 6 bilhões transforma o grupo controlador da Truth Social em potencial pioneiro de energia limpa e comercial, em movimento que surpreende o mercado.

Por Seridoense em 19 de dezembro de 2025

Foto: Reprodução/Instagram

A Trump Media & Technology Group, empresa de mídia social associada ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira (18) um acordo estratégico para se fundir integralmente com a TAE Technologies, companhia especializada em energia de fusão nuclear. A operação, estruturada em ações e avaliada em mais de US$ 6 bilhões (cerca de R$ 33 bilhões), representa uma mudança significativa de foco para o grupo controlador da rede social Truth Social.

Pelo acordo, a Trump Media, que vinha enfrentando dificuldades financeiras e apresentando desempenho operacional limitado — com receita de apenas US$ 2,7 milhões nos primeiros nove meses do ano, majoritariamente oriunda de publicidade — se reposiciona em um dos setores mais ambiciosos e tecnologicamente desafiadores da atualidade. A notícia da fusão impulsionou as ações da empresa, que subiram mais de 20% na abertura do mercado desta quinta-feira, após acumularem queda de cerca de 69% ao longo do ano.

Donald Trump é o maior acionista da Trump Media, com participação avaliada hoje em mais de US$ 1 bilhão, montante que já superou os US$ 4 bilhões no passado. Seus investimentos estão vinculados a um fundo administrado por seu filho, Donald Trump Jr., que também integra o conselho da empresa. Apesar da relevância do movimento, Trump não comentou publicamente o acordo, que foi divulgado por meio de nota oficial conjunta das companhias envolvidas.

De acordo com o comunicado, a fusão visa construir a primeira “usina de fusão nuclear em escala comercial” até 2026, além de desenvolver projetos adicionais nos anos seguintes. A iniciativa surge em um momento em que grandes empresas de tecnologia consideram a energia de fusão como uma alternativa limpa, contínua e sustentável para atender à crescente demanda energética — especialmente de centros de dados e operações intensivas em inteligência artificial.

“A energia de fusão será o avanço energético mais impactante desde o início da energia nuclear comercial na década de 1950”, afirmou Devin Nunes, CEO da Trump Media, em teleconferência com investidores. Nunes destacou que o projeto está alinhado aos princípios “America First” e poderá conferir aos Estados Unidos vantagem estratégica na corrida global por inovação tecnológica.

A concretização da fusão ainda está sujeita à aprovação dos acionistas da Trump Media e possíveis autorizações regulatórias adicionais, incluindo avaliações pela Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC). Caso avançado, o movimento colocaria o grupo ligado a Trump no centro de um setor altamente competitivo, disputado por startups e grandes empresas de tecnologia, enquanto cresce o debate sobre o papel da inteligência artificial, a sustentabilidade energética e o futuro da força de trabalho global.

Especialistas apontam que a fusão nuclear tem potencial para oferecer energia limpa, abundante e sem a produção de resíduos radioativos de longa duração — um avanço significativo em relação às fontes tradicionais. Apesar de avanços experimentais recentes, a tecnologia ainda enfrenta desafios técnicos e de financiamento antes de se tornar viável em escala comercial. A TAE Technologies, fundada em 1998 e com mais de US$ 1,3 bilhão em investimentos de grupos como Google e Chevron, afirma estar próxima de alcançar esse marco, em meio à competição internacional com iniciativas semelhantes nos Estados Unidos, Europa e China.


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