
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O Tesouro Nacional aprovou nesta quinta-feira (18) um pedido de empréstimo com garantia federal de R$12 bilhões para os Correios, integrando o plano de reestruturação da estatal apresentado ao governo federal. A nova operação prevê que, caso a empresa não consiga honrar as parcelas da dívida, o Tesouro cobrirá o pagamento, oferecendo assim segurança adicional aos credores.
A taxa de juros aplicada ficou em 115% do CDI, abaixo do teto de 120% do CDI estabelecido pelo Tesouro. Esse limite tinha sido o motivo pelo qual uma primeira tentativa de contratação foi rejeitada pelo órgão há algumas semanas, quando a oferta estava muito próxima do piso regulamentar.
Em nota, o Tesouro Nacional reafirmou que a taxa está dentro dos limites previstos para operações com empresas estatais que apresentaram plano de reequilíbrio aprovado pelos órgãos competentes. O texto divulgado também esclareceu que a proposta aprovada representa uma economia de cerca de R$5 bilhões em juros para os Correios, em comparação com a transação anteriormente vetada.
Com a aprovação técnica, as minutas contratuais agora serão negociadas entre as partes envolvidas, sob a supervisão da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e do próprio Tesouro, antes da formalização final da operação.
Pool de bancos e entrada da Caixa
A redução na taxa de juros foi possível também pela composição do grupo de instituições financeiras que compõem o pool responsável pela oferta. Além de grandes bancos privados como Bradesco, Itaú e Santander, a operação conta com participação de instituições públicas como Banco do Brasil e, recentemente, a Caixa Econômica Federal, cuja entrada ajudou a ajustar as condições financeiras do crédito.
Contexto e próximos passos
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), já havia confirmado nesta semana que a intenção do governo era avaliar e aprovar a proposta de R$12 bilhões até esta sexta-feira (19), como parte do esforço para dar sustentabilidade ao plano de recuperação dos Correios.
Em um café com jornalistas na quinta-feira, Haddad enfatizou que a reestruturação da empresa exigirá parcerias com o setor público e privado para que a estatal se mantenha competitiva no mercado e consiga modernizar sua operação. A fala do ministro reforça a posição do governo de que a solução para as dificuldades financeiras dos Correios passa por mecanismos híbridos de gestão e financiamento.
Com a aprovação do empréstimo, a expectativa é que a empresa possa reforçar sua capacidade de investimento e liquidez no curto prazo, dando um passo importante rumo ao equilíbrio financeiro e à continuidade de serviços essenciais de logística e entrega em todo o país.