
Foto: reprodução
O Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do Rio Grande do Norte (Sindsaúde/RN) afirmou, nesta sexta-feira (19), que o caso da jovem de 19 anos que sofreu uma parada cardiorrespiratória após receber medicação em uma unidade de saúde de Natal está diretamente relacionado às condições de trabalho enfrentadas pelos profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS).
A entidade declarou solidariedade à família da paciente e destacou que o episódio não pode ser tratado como uma falha apenas individual. Para o sindicato, trata-se de um reflexo da precarização dos serviços de saúde na capital potiguar.
Segundo o Conselho Regional de Enfermagem do RN (Coren-RN), há suspeita de troca de medicamentos durante o atendimento. No entanto, o Sindsaúde/RN sustenta que o contexto laboral deve ser levado em conta, considerando a sobrecarga, a falta de pessoal e os baixos salários — fatores, segundo a entidade, que pressionam os profissionais a assumir múltiplos vínculos para completar renda.
“Não se trata de falhas individuais, mas de um problema estrutural. Há anos denunciamos o sucateamento do SUS, os salários indignos e a sobrecarga imposta aos profissionais, obrigados a manter dois ou até três vínculos para sobreviver. Não aceitaremos que CPFs sejam sacrificados para proteger CNPJs”, afirmou o diretor do sindicato, João Assunção.
A entidade também criticou a gestão municipal, alegando ausência de investimentos, falta de concursos públicos e distanciamento em relação à realidade das unidades básicas e hospitalares. Para o sindicato, tragédias semelhantes podem se repetir caso o cenário atual permaneça inalterado.
O Sindsaúde/RN disse que continuará acompanhando o caso, cobrando responsabilização das instâncias gestoras e defendendo os trabalhadores e trabalhadoras do sistema de saúde. Para a categoria, proteger os profissionais é essencial para garantir um atendimento público universal, humano e de qualidade.