
Foto: José Aldenir / AgoraRN
O Rio Grande do Norte fechou o ano de 2023 com 7.076 fundações privadas e associações sem fins lucrativos em funcionamento. Os dados foram divulgados no estudo Fundações Privadas e Associações sem Fins Lucrativos no Brasil (FASFIL), elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e revelam um crescimento de 3,81% em relação ao ano anterior, que contabilizava 6.816 organizações.
O avanço consolida uma tendência de ampliação territorial e institucional do terceiro setor potiguar, impulsionada por demandas sociais crescentes e fortalecimento de iniciativas comunitárias, filantrópicas e de representação civil.
O levantamento considera mudanças metodológicas incorporadas em 2022, como a inclusão de todas as empresas ativas no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e a utilização do eSocial. A atualização reforça a precisão do mapeamento do setor em todo o país.
Geração de empregos formais cresce no RN
Além de ampliar o número de entidades, o setor também registrou aumento na oferta de postos de trabalho. O número de trabalhadores assalariados passou de 14.875 para 15.153, representando uma alta de 1,87%.
Embora o ritmo seja menor do que o crescimento das unidades locais, o dado reafirma a relevância econômica das organizações sem fins lucrativos, especialmente em áreas de prestação de serviços à população, assistência social, educação, saúde e cultura.
Expansão recente e consolidação histórica
A análise histórica mostra que o RN viveu forte processo de institucionalização a partir dos anos 1990, período marcado por descentralização administrativa e políticas públicas sociais.
Entre 2001 e 2010 surgiram 2.192 entidades — a maior concentração registrada. Já entre 2011 e 2020 foram criadas 1.725 organizações.
Mesmo em apenas três anos, o intervalo 2021–2023 já contabiliza 864 novas entidades, reforçando o dinamismo recente e a capilaridade do terceiro setor no Estado.
Setores e remuneração
As organizações religiosas representam o maior grupo (24,53%), seguidas pelas voltadas ao desenvolvimento e defesa de direitos (22,61%), cultura e recreação (16,56%) e associações patronais e profissionais (15,14%).
Apesar de liderarem em número de unidades e postos de trabalho, as entidades religiosas apresentam o menor salário médio mensal — R$ 1.527,27. Setores como desenvolvimento rural e associações patronais contam com remunerações mais elevadas, ultrapassando os R$ 2,6 mil e chegando a valores acima de R$ 3 mil.
Destaque municipal
Natal continua liderando o ranking estadual com 1.785 entidades, seguida por Mossoró (518) e Parnamirim (365). Municípios como Ceará-Mirim apresentaram crescimento expressivo de 13,1%.
Por outro lado, cidades como Currais Novos e Macaíba registraram retração, indicando processos de reorganização institucional.
No interior, o movimento é crescente: pequenos municípios têm apresentado forte variação percentual — como Jundiá, que dobrou o número de entidades no período analisado — sinalizando a chegada do terceiro setor a territórios que antes contavam com baixa institucionalização.
Papel estratégico
Para o IBGE, os números reforçam:
-
fortalecimento da participação social;
-
maior presença de instituições civis em áreas de interesse coletivo;
-
contribuição para o desenvolvimento local;
-
ampliação de serviços não mercantis.
O cenário confirma o protagonismo crescente do terceiro setor no Rio Grande do Norte, tanto na articulação de políticas públicas quanto na atuação direta em áreas sociais, culturais e comunitárias.