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O Ministério da Saúde confirmou a identificação de quatro casos do subclado K da gripe Influenza A (H3N2) no Brasil, após um período considerado atípico para a circulação do vírus no país. Uma das ocorrências foi registrada no Pará e está ligada a viagem internacional. As outras três foram notificadas no Mato Grosso do Sul e seguem em investigação laboratorial.
O subclado é uma subdivisão de um mesmo vírus, caracterizada por pequenas alterações genéticas. As mudanças não representam o surgimento de uma nova doença, mas podem influenciar seu comportamento e circulação.
As análises das amostras foram realizadas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pelo Instituto Adolfo Lutz, com apoio dos Laboratórios Centrais de Saúde Pública dos dois estados. O material foi sequenciado seguindo os protocolos de vigilância epidemiológica.
Apesar das confirmações, infectologistas enfatizam que não há mudança no quadro clínico apresentado pelos pacientes. O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri, explica que os sintomas permanecem os mesmos da gripe comum, sem agravamento ou sinais distintos.
De acordo com Kfouri, febre alta e persistente, falta de ar, cansaço extremo e piora clínica são sinais de alerta para qualquer forma de influenza. Crianças pequenas, idosos e pacientes com doenças pré-existentes devem procurar atendimento médico logo no início dos sintomas.
A experiência de países do hemisfério norte, como Austrália e Nova Zelândia, também indica que o subclado não elevou o número de mortes. O principal impacto observado foi a duração da temporada de gripe, que se estendeu além do padrão habitual em algumas regiões.
Para especialistas, antivirais continuam eficazes, sobretudo quando administrados nas primeiras horas de sintomas. Testes rápidos podem auxiliar no diagnóstico precoce e orientar o tratamento corretamente.
A estratégia de vigilância no Brasil já foi intensificada após alerta recente da Organização Pan-Americana da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS). A rede nacional monitora casos de síndrome gripal e síndrome respiratória aguda grave (SRAG), com investigação imediata de quadros atípicos.
O Ministério da Saúde reforça que as vacinas ofertadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) protegem contra formas graves da gripe, incluindo as ocasionadas pelo subclado K. A baixa adesão vacinal, no entanto, segue sendo um dos principais desafios para controlar a circulação do vírus.
Além da imunização, o SUS oferece antiviral gratuito para pacientes dos grupos prioritários. O órgão recomenda cuidados preventivos como uso de máscara em caso de sintomas respiratórios, ventilação de ambientes e higienização constante das mãos.
Até o momento, não há evidências de que o subclado provoque quadros mais graves ou prolongados no Brasil. As autoridades mantêm o monitoramento e indicam que a vacinação é a principal ferramenta para evitar complicações e reduzir hospitalizações.