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Empresários de diferentes segmentos econômicos no Seridó têm intensificado o alerta sobre a dificuldade de encontrar mão de obra disponível e qualificada para contratação. O problema, que antes era pontual, já vem sendo observado em cidades como Caicó, Currais Novos, Parelhas, Jardim do Seridó, Acari, Cruzeta e outras localidades, afetando cadeias produtivas essenciais e comprometendo o ritmo de expansão de negócios.
No setor de distribuição e logística, por exemplo, empresas relatam escassez de candidatos para funções operacionais — especialmente aquelas que exigem esforço físico e disponibilidade de horários. Em muitos casos, a alta rotatividade também se tornou preocupante, com colaboradores permanecendo por períodos curtos antes de deixarem os postos.
A construção civil atravessa uma situação semelhante. Pedreiros, serventes e profissionais especializados estão cada vez mais difíceis de serem encontrados, o que tem atrasado obras residenciais, reformas comerciais e até projetos públicos. Em algumas cidades, empresários relatam filas de clientes à espera de mão de obra — uma realidade que há alguns anos seria improvável.
Outro setor duramente afetado é o têxtil — hoje um dos mais tradicionais da economia local. Costureiros especializados, operadores de máquinas e auxiliares de produção estão em falta, limitando a capacidade de ampliação das fábricas e o atendimento a novas demandas. A consequência é a redução do potencial competitivo em um mercado onde prazos e qualidade são essenciais.
No comércio varejista, a busca por vendedores e atendentes também tem encontrado obstáculos. Empresários destacam que, mesmo oferecendo empregos formais, benefícios e treinamento, muitas vagas permanecem abertas ou têm baixa procura, dificultando a reposição de funcionários.
Diante desse cenário, especialistas apontam uma combinação de fatores que pode estar contribuindo para o fenômeno:
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mudança no perfil do trabalhador jovem, com maior busca por flexibilidade;
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qualificação insuficiente para determinadas áreas;
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concorrência com a informalidade e trabalho autônomo;
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migração de profissionais para outras regiões;
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desinteresse por funções operacionais;
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e questões socioeconômicas que podem influenciar a permanência no emprego.
O reflexo desse quadro vai além da dificuldade de contratação. Empresas têm reportado atrasos no atendimento, redução de produtividade, elevação de custos e até recusa de novos contratos — o que impacta diretamente o desenvolvimento regional.
Para especialistas, qualificação profissional, incentivo à formalização, valorização salarial e políticas de formação técnica podem ser caminhos para reversão da tendência. Lideranças do setor produtivo defendem que o tema precisa entrar na pauta do planejamento econômico do Seridó, sob risco de afetar o crescimento e a competitividade regional.