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Denúncia

Faern denuncia governo do RN por suposto descumprimento ambiental no Distrito Irrigado do Baixo Açu

Entidade afirma que autorizações do Idema não teriam sido cumpridas durante supressão vegetal na área; Governo nega irregularidades e defende legalidade das intervenções.

Por Seridoense em 22 de dezembro de 2025

Foto: Divulgação

A Federação da Agricultura e Pecuária do Rio Grande do Norte (Faern) protocolou denúncias em órgãos de controle contra o Governo do Estado por suposto descumprimento de condicionantes ambientais no Distrito Irrigado do Baixo Açu (Diba). A entidade aponta que autorizações concedidas pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema) à Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Pesca (Sape) para supressão vegetal estariam sendo executadas sem o cumprimento das exigências previstas no processo de licenciamento.

As representações foram encaminhadas ao próprio Idema, ao Ministério Público Estadual, ao Ministério Público Federal e ao Tribunal de Contas do Estado (TCE). A ação é apoiada pela Associação dos Produtores Rurais Irrigantes da 2ª Etapa do Diba (Aprodiba).

De acordo com José Vieira, presidente do Sistema Faern/Senar, entre os pontos que teriam sido ignorados estão a falta de comunicação formal ao Idema sobre o início e a conclusão da supressão vegetal, ausência de compensação ambiental e o não cumprimento do prazo para apresentação do Termo de Compromisso para Reposição Florestal (TCRF). A entidade também cita falta de esclarecimentos sobre conflitos fundiários em áreas sobrepostas ao projeto.

Segundo a Faern, cerca de 60% dos serviços de abertura de acessos e arruamentos já foram concluídos. A federação ainda estuda acionar a Justiça para tentar impedir o edital que deve ser lançado nos próximos dias pela Sape, o qual, na avaliação da entidade, pode comprometer a viabilidade econômica do distrito — atualmente o único perímetro irrigado em funcionamento no Rio Grande do Norte.

O secretário estadual de Agricultura, Guilherme Saldanha, nega irregularidades e afirma que a intervenção está restrita à abertura de vias de acesso aos lotes, com base em autorização válida. O gestor reforça que o edital previsto é destinado à agricultura familiar e não tem relação com assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

A Faern, no entanto, considera que o processo tem gerado insegurança jurídica, impactado investimentos e colocado em risco a continuidade da produção agrícola no perímetro.

A situação do Diba será tema de audiência pública na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, proposta pela deputada estadual Terezinha Maia (PL). O debate deve abordar impactos ambientais, fundiários e produtivos das ações governamentais sobre o distrito.

Enquanto o Governo defende a regularidade e o objetivo social das intervenções, a Faern afirma que continuará atuando por soluções alternativas fora do perímetro irrigado e acompanhando a tramitação das representações enviadas aos órgãos de controle.


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