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Variações genéticas explicam diferenças nos resultados das canetas emagrecedoras

Estudo aponta que alterações em genes podem influenciar tanto a perda de peso quanto os efeitos colaterais dos medicamentos

Por Seridoense há 2 semanas

Foto: Freepik

As diferenças no DNA de cada indivíduo podem ajudar a explicar por que as chamadas “canetas emagrecedoras” apresentam resultados tão variados entre os usuários. Enquanto algumas pessoas conseguem perder uma quantidade significativa de peso, outras têm resultados mais modestos ou enfrentam efeitos colaterais mais intensos.

Um estudo recente revelou que alterações em apenas dois genes já são suficientes para influenciar a resposta ao tratamento. Essas variações genéticas afetam tanto a capacidade de emagrecimento quanto a tolerância aos medicamentos.

De acordo com os pesquisadores, os remédios podem proporcionar perdas superiores a 20% do peso corporal em alguns casos. No entanto, a maioria dos participantes dos testes clínicos registra redução acima de 10%, enquanto cerca de 10% das pessoas perdem menos de 5% do peso, sendo consideradas não respondedoras.

Além da eficácia, a tolerância aos medicamentos também varia bastante. Aproximadamente um em cada três usuários relata efeitos adversos leves, como náuseas, vômitos, diarreia ou constipação, enquanto outros passam pelo tratamento sem apresentar complicações.

A pesquisa, publicada na revista científica Nature, indica que testes genéticos poderão, no futuro, ajudar médicos a escolher o tratamento mais adequado para cada paciente.

Para chegar às conclusões, os cientistas analisaram dados de 27.855 usuários, com base em informações fornecidas por uma empresa de genética. Em média, os participantes perderam 11,7% do peso corporal — cerca de 11,3 quilos — ao longo de pouco mais de oito meses de tratamento. Apesar disso, houve grande variação nos resultados, com casos de perda quase nula e outros com redução de até 30%.

Os genes identificados no estudo estão relacionados à produção de receptores de hormônios intestinais, que são justamente os alvos dessas medicações. O gene GLP1R está ligado ao receptor do hormônio GLP-1, cuja ação é imitada pela semaglutida. Já o gene GIPR está associado ao receptor do hormônio GIP, ativado pela tirzepatida.

Esses medicamentos atuam imitando ou potencializando a ação desses hormônios, que regulam o apetite, a liberação de insulina e a digestão. Como resultado, ocorre redução da ingestão de alimentos e, consequentemente, perda de peso.

A análise genética identificou uma variante específica no gene GLP1R que pode aumentar levemente a perda de peso em usuários. Pessoas com essa alteração apresentaram redução adicional, ainda que pequena, em comparação com aquelas que não possuem a variante. Os pesquisadores destacam que, apesar do efeito individual ser discreto, o impacto pode ser relevante quando analisado em larga escala.

Por outro lado, algumas dessas variações também estão associadas a maior probabilidade de efeitos colaterais, especialmente sintomas gastrointestinais.

No caso do gene GIPR, foi identificada uma variante relacionada ao aumento de episódios de vômito em usuários de medicamentos que atuam tanto sobre GLP-1 quanto sobre GIP, como a tirzepatida.

Os cientistas reforçam que os resultados ainda estão em fase de aprofundamento, mas apontam para um futuro em que a medicina personalizada poderá tornar os tratamentos para emagrecimento mais eficazes e seguros, com base no perfil genético de cada paciente.


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